Lerner quer mudar estratégia de Serra
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O governador Jaime Lerner (PFL) deixa hoje o cargo para se dedicar exclusivamente às campanhas dos tucanos Beto Richa para o governo do Estado e de José Serra para a presidência da República. A agenda de Lerner, cujos índices de popularidade não são mais os mesmos de quando assumiu o governo pela primeira vez em 1995, como conselheiro de campanha, começa hoje à tarde numa reunião em Brasília. Ele vai ter uma conversa com a cúpula da campanha de Serra para definir estratégias e delinear projetos mais ousados de governo.
O governador já gravou alguns programas para o horário eleitoral gratuito de Serra. As sugestões que serão apresentadas hoje estão voltadas para a melhoria da qualidade de vida das cidades. Ele acredita que Serra precisa concentrar seu discurso na melhoria dos problemas estruturais e sociais de 100 cidades brasileiras, que concentram 50% da população brasileira (todas têm mais de 100 mil habitantes). ''Não basta falar que tem que se resolver o problema. Tem que mostrar como vai resolver. É isso que estaremos fazendo'', disse.
As favelas, de acordo com a proposta de Lerner, serão transformadas em zona franca. Todas as empresas que estimularem a geração de empregos terão isenção completa de impostos. ''Quando o governo se ausenta, cresce o poder da marginalidade. Tem que entrar emprego para melhorar a qualidade de vida deste povo. Não adianta colocar apenas a polícia para inibir a ação dos criminosos'', ensinou. Para o transporte, ele sugere a ''metronização'' dos ônibus, a exemplo do que foi feito em Curitiba.
Lerner promete participar de atos públicos ao lado de Serra, principalmente no Paraná. No entanto, a prioridade dele será a campanha de Beto. ''Não vou fazer nada antes de consultar a agenda do Beto. A prioridade é a campanha dele'', disse. Apesar dos últimos levantamentos das pesquisas demonstrarem uma polarização entre os candidatos Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB), Lerner acredita que tenha como reverter o quadro e levar Beto para o segundo turno. ''A polarização ocorreu por causa de uma bolha criada pelo fato de os dois serem conhecidos e terem governado o Estado. No entanto, eles não foram aprovados e perderam as eleições para mim em dois anos distintos. O povo provou que desconfia deles. Grande parte da população ainda não se decidiu porque não conhece os outros candidatos e não tem visto os programas eleitorais. Vamos alcançar estas pessoas nas cidades onde elas vivem'', salientou.
O governador pretende visitar o interior ao lado de Beto. Esta semana, eles devem ser vistos juntos nas regiões Sul e Sudoeste. Na Região Metropolitana de Curitiba, está prevista a presença deles acompanhado do prefeito Cassio Taniguchi (PFL). ''É preciso agora concentrarmos esforços para ganharmos as eleições. Agora eu estou entrando nestas campanhas a todo o vapor'', enfatizou.


