Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) pediu ontem para que o deputado Valdir Rossoni (PTB) permaneça na liderança do governo na Assembléia Legislativa. O pedido foi feito ontem pela manhã, um dia depois de Lerner ter ajudado Nelson Justus (PTB) a derrotar Rossoni na briga pela sucessão de Aníbal Khury (PFL). O governador conversou com Rossoni em sua residência, por volta do meio-dia, durante uma hora. Lerner tenta juntar os cacos da disputa que rachou sua base aliada. Rossoni pediu uma semana para pensar. O ‘‘tiroteio’’ do dia anterior – acusando Lerner de usar a máquina para favorecer Justus – pode virar festim.
‘‘O governador me fez um apelo, que pretendo analisar no decorrer de uma semana’’, disse Rossoni. ‘‘Tenho diversas questões a ser levadas em conta: a decisão da oposição (que votou em peso em Justus) e a postura dos meus companheiros (o ‘‘Grupo dos 21)’’, emendou. Rossoni sinalizava ontem que ficou dividido depois da conversa com o governador.
‘‘Ele me disse que tinha de tomar uma posição. Eu até não discordo disso, mas não sei... Tenho de refletir melhor. Por enquanto, a liderança do governo na Assembléia está vaga’’, considerou Rossoni, minutos antes de embarcar para União da Vitória, onde pretende ficar no feriadão da Semana da Pátria.
O deputado tem consciência de que um rompimento político com o governador Jaime Lerner, como sinalizou anteontem, só lhe traria prejuízos e consequente fortalecimento do PMDB, PT e setores do PSDB e PDT, o mesmo grupo que pendeu para Justus acabando com o seu sonho de ser o sucessor de Aníbal Khury.
Rossoni disse que não está disposto a fazer o jogo do senador Roberto Requião (PMDB) e dar fôlego à oposição votando contra o governo. ‘‘Isso eu não vou fazer. Está decidido’’, observou. Rossoni desabafou com o governador ontem. Ele falou das suas preocupações e da sua mágoa por ter sido rejeitado. ‘‘Disse na cara do governador: se existir um pingo de dúvida quanto a minha lealdade, gostaria que o senhor nunca mais conversasse comigo’’, relatou.
O deputado Rossoni afirmou que assinalou ainda na conversa com Lerner que foi mal interpretado por alguns palacianos e que em momento algum estava sendo comandado pelo ‘‘Grupo dos 21’’, aliados que se rebelaram contra o governo por conta da crise financeira.
Na conversa de ontem, Rossoni disse que, para ‘‘engolir o sapo’’, terá de ter a garantia de que não haverá retaliação política contra os 17 deputados que lhe confiaram o voto na eleição de anteontem. ‘‘São pessoas que brigaram por mim’’, observou. Rossoni não confirma, mas Lerner teria aceitado a condição.
O governador só pretende mexer na questão, quando retornar, no final da semana que vem, dos Estados Unidos, onde passa alguns dias descansando. Até lá Rossoni teria tempo para justificar o seu recuo. Lerner viaja para o exterior confiante no reatamento das relações com Valdir Rossoni, conforme garantiam ontem fontes palacianas.
Uma dissidência de 18 deputados – a votação obtida por Valdir Rossoni – é preocupante. Somados aos 13 da oposição, resultam 31, a maioria da Assembléia.Um dia antes de viajar, governador tenta aparar arestas da disputa tensa pelo cargo de presidente da Assembléia
Mauro FrassonSUSPENSERossoni: ‘‘O governador me fez um apelo. Pretendo analisar. Tenho várias questões a considerar’’ e ‘‘disse na cara do governador: se existir um pingo de dúvida quanto a minha lealdade, gostaria que o senhor nunca mais conversasse comigo’’

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