CRIME ORGANIZADO Lerner quer faxina completa na Polícia Governador vai ao exterior, mas determinou limpeza na corporação, com identificação e punição de policiais citados pela CPI Arquivo FolhaVERGONHALerner, desabafando depois da devassa da CPI: ‘‘Neste momento, a minha indignação é a de todos os paranaenses’’ Leandro Donatti De Curitiba O governador Jaime Lerner (PFL) vai monitorar as primeiras medidas saneadoras a serem tomadas na Polícia Civil, mesmo estando no exterior. Antes de embarcar para Los Angeles (EUA) onde fica por oito dias, Lerner mandou um recado para seus subalternos: quer ‘‘uma faxina geral’’ nos quadros da Polícia, com a identificação e punição de policiais que possam ter ligações com o narcotráfico ou qualquer ramificação do crime organizado. ‘‘A faxina vai ser geral e dela vai nascer uma nova polícia’’, mandou avisar o governador, via assessoria de imprensa. O pronunciamento de Lerner vem depois de três dias de intensa investigação no Paraná. A CPI do Narcotráfico revelou a existência de um esquema de corrupção que derrubou dois delegados-chave e afastou outros quatro. ‘‘Neste momento, a minha indignação é a de todos os paranaenses’’, desabafou. Lerner disse que a corrupção na Polícia, entretanto, não é uma prerrogativa exclusiva do Paraná. ‘‘Existe em todo o País. Aqui, no Paraná, vamos apurar tudo e todos’’, prometeu, horas antes de seu embarque. O governador passou os últimos dias acompanhando a CPI. Ontem, Lerner reafirmou posição assumida pelo secretário da Segurança, Cândido Martins Oliveira em depoimento à Comissão Parlamentar. O governador disse que o governo colocou 15 policiais à disposição do Ministério Público do Paraná para que se desenvolva uma parceria no combate a drogas e ao crime organizado no Estado. ‘‘Os policiais são para dar segurança ao Ministério Público e auxiliar nas investigações.’’ Numa última reunião com Cândido Martins, ontem, Lerner cobrou os detalhes da punição administrativa dos policiais e delegados envolvidos. O governo abriu processo administrativo pedindo a expulsão de Ricardo Noronha da corporação. Ontem ficou acertado que o relatório concluindo as investigações será encaminhado em seguida para a análise do Poder Judiciário, ‘‘para a responsabilização dos envolvidos’’, alerta a assessoria do governador. ‘‘Quero que o povo seja informado, porque hoje a população espera, e eu exijo, o esclarecimento de todos os fatos’’, insistiu Lerner. Ele deu a entender que a CPI deixou uma lição e que o governo pretende agora oxigenar os quadros da Polícia Civil. ‘‘Vamos preparar uma nova Polícia’’, prometeu. O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), também enalteceu a passagem da CPI do Narcotráfico pelo Estado. Disse que os deputados federais membros da comissão ‘‘cumpriram o seu papel’’. ‘‘Mas tudo isso é só um começo. Não dá para querer apurar tudo em apenas três dias. Tem de haver instituições permanentes cuidando disso. Quando digo instituições, digo Secretaria da Segurança, Ministério Público e Palácio Iguaçu’’, relacionou. ‘‘O Ministério Público é o grande especialista no assunto. Tem que se dar todas as condições para que se faça um bom trabalho’’, defendeu Justus. O deputado classificou de ‘‘formidável’’ a performance de Cândido Martins na madrugada de ontem. ‘‘Ele se saiu muito bem. Foi falar como um secretário de Estado e não como um traficante. Talvez por isso é que a CPI não lhe fez inquirições’’.