Depois de um ano sem aparecer, o governador Jaime Lerner (PFL) finalmente volta hoje a Londrina para a inauguração da reforma do Colégio Marcelino Champagnat, um dos mais tradicionais da cidade e que há anos necessitava de reparos. A última vez em que esteve na cidade foi durante o torneio Pré-Olímpico de Futebol, em janeiro de 2000, quando ele acabou surpreendido por uma sonora vaia no Estádio do Café. Além da reforma do Champagnat, Lerner também assinará ordem de serviço para construção de duas escolas estaduais.
A visita de hoje vai ser rápida: o governador desembarca às 11h30 no aeroporto local e menos de duas horas depois volta ao avião para cumprir uma agenda apertada pelo interior. De Londrina, ele parte para Campo Mourão, Toledo e Foz do Iguaçu. Em todas as cidades assina ordens de serviço para construção de escolas. Antes de Londrina, o governador deve passar por Apucarana, para o lançamento do Programa ‘‘Cidade Educação’’ – às 9h30 no auditório do Colégio Nossa Senhora da Glória.
A longa ausência de Lerner no segundo maior município do Paraná nunca teve uma explicação oficial do Palácio Iguaçu. Mas fontes do próprio governo admitem que o sumiço serviu para que ele ficasse longe da crise política que expôs um amplo esquema de corrupção em Londrina e cassou o mandato do prefeito Antonio Belinati – que era do mesmo partido de governador e, de quebra, marido da vice-governadora Emília Belinati (PTB).
Lerner quis evitar que os escândalos respingassem no próprio governo. Além disso, segundo fonte palaciana, havia o temor de que a população ignorasse as ‘‘obras’’ do governo na cidade e cobrasse de Lerner uma posição sobre o aliado Belinati. Durante toda a crise, Lerner se manifestou uma única vez, para defender a vice Emília.
O governo ainda foi acusado de atuar nos bastidores para arquivar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que investigaria a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, em 98. Os R$ 186 milhões do negócio, que entraram no caixa da prefeitura, financiaram os desvios.
Outros fatores colaboraram para o longo sumiço do governador. Desde que assumiu o governo pela primeira vez, em 95, Lerner sempre que vinha a Londrina era intensamente cobrado por investimentos, sobretudo nas áreas da saúde e segurança. A entrega da nova Cadeia Pública, por exemplo, que deve amenizar o problema de superlotação nos distritos policiais da cidade, foi seguidamente prorrogada. E um antigo projeto de reforma do Hospital Universitário, o maior da região, até agora continua no papel.
‘‘Esse distanciamento é muito ruim para a cidade e também para o governador. E não foi provocado pelo nosso governo. Isso é uma coisa do passado que queremos superar’’, avaliou ontem o prefeito Nedson Micheleti (PT), que – mesmo sem ter um encontro oficial programado – pretende acompanhar a agenda do governador em Londrina.
Segundo o prefeito, a expectativa é que a relação entre Estado e município seja ‘‘institucional’’ e não sofra influência de diferenças políticas – a despeito das negociações no Congresso Nacional pela disputa das presidências da Câmara e do Senado, PT e PFL são adversários históricos. ‘‘De nossa parte, as diferenças partidárias não influenciam. Espero que o governador também não politize essa relação’’, disse.
Por enquanto, Nedson disse que o único contato oficial que teve com o governo foi para a escolha da nova diretoria da Sercomtel, quando a Copel acatou a sugestão do município para a diretoria financeira da telefônica. O nome do diretor deveria ser escolhido por consenso.
O prefeito acrescentou que já convidou Lerner para vir a Londrina tratar de outros assuntos, como a implantação da Região Metropolitana, emendas no orçamento, melhoria das vilas rurais e manutenção da relação com a Cohapar para construção de habitações populares – entre outros assuntos. ‘‘A agenda é extensa e gostaria que a primeira conversa de trabalho fosse aqui, em Londrina. Já fiz o convite antes da posse e reafirmei em Assaí. Só estou aguardando resposta’’, disse Nedson.
Da rápida passagem pelo interior do Estado, Lerner embarca amanhã para a 39ª viagem ao exterior desde que assumiu o cargo. Ele vai para Nova York, onde mora a filha Andréa, para receber um prêmio que seria da Organização das Nações Unidas (ONU). Em março está agendada uma nova viagem do governador para os Estados Unidos. (Colaborou Maria Duarte)

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