O governo do Estado deu por encerrada ontem a crise dentro de sua bancada de apoio na Assembléia Legislativa ao prometer liberar recursos para os deputados. Depois de quase quatro horas de conversa com o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, e o governador Jaime Lerner (PFL), 35 parlamentares da base aliada decidiram que vão dar uma trégua ao novo secretariado escolhido pelo governador. Em tese, a trégua vai até o final do ano. A Assembléia tem ainda mais 12 sessões até o encerramento de suas atividades, quando será votado o orçamento para 2001.
Em contrapartida, mais uma vez, o governador se dispôs a estabelecer um cronograma de liberação de verbas para os municípios da base de cada parlamentar. Ele promete repassar recursos atrasados e anunciar novos investimentos. No entanto, para serem atendidos, os deputados devem encaminhar uma pauta de reivindicação, que deve ser entregue até amanhã, dando tempo para que seja incluída no orçamento do próximo ano. Esta não é a primeira vez que o governo promete recursos para os deputados aliados, em troca de sua obediência em plenário. Na maioria delas, o governo não cumpriu o pactuado.
‘‘Conseguimos zerar todas as pendências e a partir de agora o ambiente é outro’’, sentenciou Alceni Guerra. Enfrentando a primeira rebelião como chefe da Casa Civil, o secretário prometeu que os deputados ganharão um tratamento ‘‘especial do governo estadual.’’
Nesse relacionamento ‘‘vip’’, o parlamentar poderá acompanhar cada liberação de verba, podendo agendar sua presença na hora dos repasses. Inclusive, os deputados poderão contar com a companhia de secretários ou até do governador. Assim, deverão faturar politicamente em cada aparição pública. Esses agendamentos serão feitos pela Casa Civil, conforme a promessa feita pelo governo.
Alceni Guerra disse que o cronograma de repasses será montado conforme a capacidade financeira do governo. ‘‘Mas nenhum pedido deixará de ser atendido’’, avisou. ‘‘Com essa decisão, o principal pedido dos deputados governistas foi atendido’’, minimizou o deputado Valdir Rossoni (PTB), líder do governo na Assembléia Legislativa.
Além do repasse do dinheiro e o apoio político do secretariado, os parlamentares saíram convictos de que conseguiram convencer o governo de que o ideal é dar cores políticas às secretarias. De acordo com Alceni, o governo já sinalizou que poderá fazer mudanças internas nos núcleos regionais de cada pasta, caso os deputados se queixem do tratamento dado pelos chefes. ‘‘Não se tem uma lista de demissionários, mas o tratamento terá que se adequado à nova realidade’’, informou o chefe da Casa Civil.
Os participantes da reunião negaram que o assunto reforma do secretariado tenha entrado em pauta. ‘‘Não discutimos nomes ou indicações’’, garantiu o deputado estadual Durval Amaral (PFL). Ele acrescentou que na reunião foi definido que o porta-voz do governo com a Assembléia será Alceni.
‘‘O encontro foi proveitoso e serviu para aparar as arestas’’, afirmou Amaral. Para o líder do governo na Assembléia, a reunião afasta qualquer possibilidade de novas rebeliões, como um eventual apoio à instalação de novas CPIs contra o governo Lerner. ‘‘Os deputados se sentiram prestigiados e vão apoiar incondicionalmente o governador’’, apostou.

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