Deputados que dão sustentação política ao governo Jaime Lerner (PFL) já trabalham com a possibilidade de a Copel não ser privatizada e analisam soluções alternativas para viabilizar novos investimentos. Com a proximidade das eleições, marcadas para outubro do ano que vem, os deputados não querem deixar de entregar obras e outras melhorias em seus redutos eleitorais.
Os parlamentares propuseram ao governador que utilize o dinheiro do Fundo de Previdência que tem hoje cerca de R$ 1,9 bilhão para pagar os 77,5 mil aposentados e pensionistas do Estado. Segundo o líder do governo, Durval Amaral (PFL), Lerner disse aos deputados para deixarem as questões administrativas com ele e se ocuparem da parte política. O governador prometeu encaminhar recursos aos municípios dos aliados e atender a seus pedidos de emendas ao orçamento de 2002.
O fundo previdenciário não está totalmente capitalizado. O valor que tem hoje veio basicamente da antecipação dos royalties da Usina de Itaipu. Seriam necessários mais R$ 3 bilhões para capitalizá-lo totalmente. A proposta dos deputados é que o governo deixe de destinar cerca de R$ 100 milhões mensais para o pagamento dos aposentados (valor que sai dos cofres públicos, gerando déficit), e redirecione esse montante a novos investimentos. No entanto, a proposta pode encontrar barreiras legais. Como o capital do fundo foi composto por títulos que não podem ser negociados, eles só podem ser resgatados pelo governo mensalmente. Caso o governo queira usar o dinheiro do fundo para outros investimentos, é necessário que uma lei nesse sentido seja aprovada pela Assembléia Legislativa.
O governador se mantém firme no propósito de vender a companhia este ano. Mas o primeiro escalão do Palácio Iguaçu já mudou o tom do discurso. O secretariado diz que é possível concluir os obras em execução e reformar as estradas não pedagiadas sem o dinheiro da Copel. Essa é a maior exigência dos deputados. Eles se recusam a ficar somente com o ônus político de ter rejeitado, em agosto, o projeto popular que impedia venda da Copel e querem garantir recursos para suas bases.
A oposição critica a alternativa cogitada pelo bloco aliado. ''É uma idéia sem cabimento. Não pode mexer nesse dinheiro'', reclamou Nereu Moura (PMDB). Os aliados rebatem, dizendo que, quando a oposição estava no poder, usou recursos do fundo previdenciário.

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