O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem que a demissão do ouvidor-geral do Estado, João Elias de Oliveira, ‘‘está sendo resolvida’’. ‘‘Vamos resolver esse mal-entendido’’, disse, frisando que quer manter João Elias no governo. O ouvidor foi demitido na quarta-feira pelo secretário da Justiça e Cidadania, Pretextato Taborda Ribas, mas a intenção do Palácio Iguaçu é manter Oliveira no cargo.
O motivo da exoneração de João Elias, encaminhada pelo secretário da Justiça, foi a falta de sintonia entre os dois. Taborda alega que Oliveira ficou irritado com a mudança administrativa que tornou a Ouvidoria subordinada à sua pasta. ‘‘Ele queria ser secretário especial’’. Oliveira confirma a ‘‘divergência de opiniões’’ entre os dois. ‘‘Havia um claro conflito de opiniões entre nós. Não tenho como trabalhar com o secretário’’, resumiu.
A versão corrente no Centro Cívico é que o motivo do desentendimento foi o discurso da vice-governadora Emília Belinati (PTB), durante a solenidade de aniversário da Ouvidoria. Ela elogiou João Elias e disse que seu trabalho merece todo respeito. As declarações de Emília chegaram distorcidas aos ouvidos do secretário, dando a entender que o ouvidor teria reclamado de falta de respeito por parte do governo. Na tentativa de acalmar os ânimos, Lerner elogiou o ouvidor e o secretário da Justiça. ‘‘São excelentes colaboradores’’.
O chefe de gabinete da secretaria de Justiça, Manoel Garcez, o ‘‘Zico’’, está despachando interinamente na Ouvidoria, sob protestos dos técnicos e funcionários do local. ‘‘Ele (João Elias) era a alma desta Ouvidoria. Sem ele, não fico aqui’’, disse um técnico, que preferiu não se identificar e já pediu transferência de setor.
João Elias disse que tem cargo de confiança e está à disposição do governador. ‘‘Espero que o próximo ouvidor tenha competência a sensibilidade para manter a ouvidoria, que é modelo para os outros estados’’, desabafou. A ouvidoria serve como intermediária entre a sociedade e o governo do Estado.
João Elias foi nomeado secretário especial com funções de ouvidor em janeiro de 1995. Em 1987 foi chefe de gabinete do secretário especial de Assuntos Fundiários e assessor especial da Casa Civil. (M.D.)

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