O governador Jaime Lerner (PFL) pediu ontem aos deputados estaduais do PPB para que trabalhem internamente no partido em prol da aliança PPB-PTB-PFL em torno da sua reeleição no ano que vem. O governador teve audiências em separado com os deputados no Palácio Iguaçu pela manhã e deixou transparecer que tem pressa numa decisão.
O partido trabalha hoje com a tese de chapa própria para 98. A direção estadual do PPB ameaça lançar Ricardo Barros como candidato ao governo, no programa que vai ao ar no rádio e tevê na próxima segunda-feira. A cúpula não descarta ainda a possibilidade de acerto com a oposição. O suspense desagrada o grupo do governador Jaime Lerner.
Ele não vê com bons olhos o relacionamento amistoso do presidente do diretório regional do PPB, deputado federal José Janene, com o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB). E nem gosta dos frequentes ‘flertes’ registrados entre o PPB e o PMDB do senador Roberto Requião. Por isso ele resolveu assumir pessoalmente a costura.
O chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), tentou intermediar os contatos com os pepebistas na semana passada, mas não obteve êxito. O tom usado desagradou os deputados, que se sentiram pressionados a tomar uma posição. As bancadas federal e estadual reuniram-se ontem para analisar a questão, que continua postergada para o ano que vem. ‘‘As chances de fecharmos aliança com o governo são as mesmas de lançarmos chapa própria e de negociarmos com a oposição’’, avalia Nelson Meurer.
O deputado federal diz que é entendimento unânime no PPB que o partido busca um caminho que garanta uma ‘‘participação efetiva no governo’’. ‘‘Hoje não temos nenhum cargo ou secretaria. Apoiamos o governo Lerner sem nenhum bônus e isso não é nada vantajoso para uma sigla’’, reclama Meurer. Ele, o restante da bancada federal, os deputados estaduais Augustinho Zucchy e Irondi Pugliesi e o ex-ministro Borges da Silveira participam hoje da convenção nacional do PPB.
O entendimento da bancada é de que a decisão do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf de apoiar a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não interfere nas disputas estaduais. E que as críticas ácidas feitas pelo senador Requião contra o presidente não inviabilizam uma eventual costura política no Paraná.

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