O governador Jaime Lerner (PFL) colocou o governo do Estado à disposição da CPI do Narcotráfico, nos três dias de investigação. O relator da comissão, deputado federal Moroni Torgan (PFL-CE), comandou a comitiva de deputados federais que foi ao Palácio Iguaçu conversar com Lerner. As informações, sobre quem chamou quem para a conversa, antes do início da instalação dos trabalhos, são desencontradas.
Uma fonte garantiu à Folha que quem solicitou a conversa foi o Palácio Iguaçu, para sentir o clima da CPI. O chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, esteve duas vezes na Assembléia acompanhando a movimentação. Um deputado, entretanto, assegurou que a iniciativa foi da CPI, preocupada com reações do setor de Segurança do governo, uma vez que policiais civis são alvo de investigação.
‘‘Terão todo o apoio logístico’’, assegurou Lerner, na mesa com os deputados federais da CPI. Parte da conversa do governador com a CPI foi reservada. Durou meia hora. O restante, 15 minutos, aberto aos jornalistas que cobriam o evento. Lerner disse que se tiver policiais envolvidos com drogas no Estado, deve haver apuração.
‘‘Não importa quem’’, reforçou o governador. Lerner disse que seu governo tem dado mostras no trabalho de combate ao narcotráfico, desde 1995, quando assumiu. Destacou a criação do Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera), comandado atualmente pelo delegado Adauto de Oliveira. ‘‘Nós criamos essa estrutura de combate ao tráfico’’, assinalou.
O secretário da Segurança, Cândido Martins Oliveira, fez coro ao discurso do governador. Disse que a nomeação de Adauto, por exemplo, foi fruto de decisão do governo. ‘‘O governo do Estado está dando subsídios à CPI do Narcotráfico. Temos problemas com droga como qualquer outro Estado’’, ressaltou o secretário. Cândido Martins evita pintar o Paraná como parte negra do narcotráfico.
O secretário disse que aguarda com tranquilidade o resultado das investigações e que envolvimentos comprovados serão punidos. Cândido Martins reagiu com indignação a declarações feitas durante a semana por Ângelo Vanhoni (PT), o presidente da Comissão Especial de Investigação (CEI), criada pela Assembléia para dar suporte à CPI. Vanhoni disse que há envolvimento de policiais com o tráfico de drogas, com a ‘‘conivência’’ do secretário.
‘‘Não estou sendo conivente com nada’’, protestou o secretário. ‘‘A pessoa que alega é quem tem o ônus da prova’’, devolveu Cândido Martins.