Lerner pode processar Canto
Lerner pode processar Canto
O destempero do prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto (PSDB), contra o governador Jaime Lerner (PFL), anteontem, durante inauguração da fábrica Continental, pode render ação na Justiça contra o prefeito. O Palácio Iguaçu analisa o teor do acalorado pronunciamento para verificar se não houve ofensa à honra do governador.
Uma fita cassete com declarações de Canto fazendo críticas a Lerner, fornecidas por seu adversário, o deputado Plauto Miró (PFL), está sendo avaliada pelo secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, apontado ontem, no plenário da Assembléia Legislativa, como o pivô do bate-boca entre Lerner e o prefeito.
O Código Penal considera como agravante o ataque inesperado, como foi o caso. Se verificarmos qualquer ofensa mais grave, a administrativa não nos preocupa, tomaremos posição, avisou Tato Taborda, alvo do deputado Luiz Carlos Zuk (PDT), aliado do prefeito.
Zuk acusou o chefe da Casa Civil de provocar a ira do prefeito contra Lerner, quando, meses atrás, manifestou para políticos da cidade apoio do governo à candidatura de Miró à prefeitura em 2000. Esse chefe da Casa Civil não tem flexibilidade nem tato político, condenou Zuk. Taborda nega a acusação.
Governista de primeira hora, Zuk surpreendeu ao falar grosso ontem no plenário. O prefeito queria uma audiência e foi barrado. Lerner tem compromisso com a cidade. Honre a palavra, governador. Nomeie um representante de Ponta Grossa para a Secretaria do Trabalho, cobrou. A fala de Zuk ocorreu minutos antes de Plauto Miró e Péricles Holleben de Mello, também pré-candidatos a prefeito de Ponta Grossa, manifestarem-se. Ambos acusaram o prefeito de desequilibrado.
No Palácio, o ressentimento ainda permanecia. Antes de embarcar para Brasília, Lerner confidenciou a amigos nunca ter passado por tanto constrangimento. À tarde, ele disse para jornalistas que não compreendeu o ataque do prefeito.
O quiproquó entre Lerner e Canto também chegou no PSDB. O senador Alvaro Dias disse que recebeu telefonema do prefeito, para falar do episódio. Alvaro não condenou a grosseria do prefeito. Para provocar Lerner disse que cabe ao governador ter preparo para assimilar o golpe da reivindicação.(L.D.)





