Patrícia Zanin
De Londrina
O governador Jaime Lerner (PFL) fez um apelo ontem em Londrina para a união entre o prefeito Antonio Belinati e o secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho Alex Canziani, em nome da reeleição de Belinati. Lerner esteve na cidade à tarde para prestigiar o prefeito, que, anteontem, anunciou sua entrada no PFL, depois da dissolução do diretório municipal do partido, então comandado pelo secretário. A mudança no PFL foi condicionada por Belinati para seu ingresso à sigla, mas Alex ainda não digeriu o fato de ter sido desprestigiado.
‘‘Temos aqui na cidade todas as grandes lideranças: o prefeito Belinati, a vice-governadora Emília Belinati e o secretário Alex Canziani para levarmos Londrina cada vez mais para a frente. Temos certeza que essa união vai continuar cada vez mais’’, afirmou Lerner.
O governador negou que o pedido feito a Alex para o diretório acomodar Belinati - no caso a autodissolução - tenha tido objetivo de colocar um ponto final na polêmica com a família Belinati, que está distanciada do governo desde janeiro, quando Lerner anunciou seu secretariado composto à revelia de Emília e Belinati. ‘‘Nunca houve afastamento’’, despistou. Mas, em seu discurso no Hotel Bourbon, ele não poupou elogios ao prefeito e a Emília.
Lerner também tentou desfazer o mal-estar criado para Alex, que foi forçado a deixar o caminho do PFL livre para Belinati. ‘‘Ele é um excelente secretário de uma das pastas de maior relevância, que tem a meta de criar emprego e renda’’, disse Lerner. Quando Alex foi convidado para assumir a secretaria, em janeiro, Belinati minimizou a importância da área.
Lerner também elogiou a ‘‘solidariedade’’ de Alex e dos membros do diretório na decisão de renúncia para o ingresso do prefeito de Londrina. ‘‘Quero agradecer a maneira generosa como partido trabalhou e criou condições para fazer o PFL avançar cada vez mais’’.
Ainda visivelmente constrangido pela situação imposta pelo Palácio Iguaçu, o secretário tentou disfarçar sua contrariedade, mas não foi fácil. Chamou Lerner de ‘‘grande amigo’’, além de falar das atividades de sua secretaria e da confiança do governador em nomeá-lo para o cargo. Ao dirigir-se a Belinati, Alex limitou-se a dizer ‘‘parabéns prefeito’’, referindo-se à escolha dele pelo PFL.
As diferenças ficaram claras ainda na hora dos cumprimentos. O governador estava entre eles quando Alex e Belinati estenderam as mãos, mas erraram o lado por duas vezes. O aperto de mãos só foi possível na terceira tentativa e ainda com a ajuda de Lerner, que pegou carona no gesto e somou-se aos dois.
Em sua missão de pacificador ontem em Londrina, o governador também minimizou as críticas feitas pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PFL), que cobrou pulso do governador na queda-de-braço com o MST e acusou o governo de ‘‘excesso de tolerância’’ no caso do acampamento na frente do Palácio Iguaçu, em Curitiba.
‘‘O deputado é um parceiro importante do governo e manifesta algo que o povo está sentindo. Eu tenho a responsabilidade de fazer a mediação. Ainda mais quando o MST pediu um tempo e ficou de dar uma resposta ao governo. Então vamos respeitar esse tempo e aguardar’’, disse Lerner.Em missão de pacificador, governador defendeu ontem a reeleição do prefeito no ano que vem e o fortalecimento do PFL
Dorico da SilvaApelo à pazO vereador Santa Rosa (PFL), Belinati, Lerner e Alex: solenidade marcada por discursos reconciliadores e elogios

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