Lerner pede sua terceira aposentadoria
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba O ex-governador Jaime Lerner (PFL), de 65 anos, entrou esta semana com um pedido junto à Secretaria de Estado da Administração para receber o pagamento de aposentadoria relativa aos oito anos em que esteve à frente do Palácio Iguaçu. A aposentadoria como governador será somada a duas outras já percebidas por Lerner: uma por ter sido professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e outra por ter presidido o Instituto de Planejamento e Pesquisas de Curitiba (IPPUC). Atualmente, o salário do governador do Paraná é R$ 12,7 mil
A Secretaria de Administração não confirma o requerimento da aposentadoria, mas fontes ligadas ao ex-governador asseguram que o pedido realmente foi protocolado. A reportagem da Folha tentou entrar em contato com Lerner, mas foi informada que ele estaria na Colômbia, participando de um seminário sobre transportes públicos. Depois que deixou o governo, no dia 1º de janeiro deste ano, Lerner se dedica à iniciativa privada como consultor em urbanismo.
Ainda não se sabe qual o valor do benefício que será bancado pelos cofres públicos a Lerner. Além de ter sido o primeiro governador a permanecer dois mandatos consecutivos à frente do cargo, o sistema de pagamento foi alterado nos últimos anos. Anteriormente, as pensões eram pagas pelo Tribunal de Justiça, porque os governadores recebiam na época o mesmo valor da aposentadoria de um desembargador. Atualmente, os benefícios são pagos pelo próprio Palácio Iguaçu.
Para receber a pensão de ex-governador é necessário que o beneficiado tenha assumido efetivamente o cargo. Por exemplo, a vice-governadora de Lerner, Emília Belinati (PFL), não tem direito ao pagamento da aposentadoria apesar de ter assumido temporariamente a função de chefe do Executivo estadual cerca de 50 vezes durante os oito anos do mandato de Lerner. Já Mário Pereira, que foi governador entre abril e dezembro de 1994, no primeiro mandato de Roberto Requião (PMDB), recebe o benefício. Na época, Requião havia renunciado para disputar as prévias presidenciais do PMDB.
O acúmulo de mais uma aposentadoria por Lerner pode ser encarado como um sinal de que o ex-governador estaria se afastando definitivamente das disputas políticas. O tema é constantemente levantado durante as campanhas eleitorais para atacar candidatos beneficiados. Nas eleições deste ano, o candidato ao Senado pelo PMDB, Paulo Pimentel, foi criticado por acumular aposentadorias como ex-governador, ex-deputado federal e pelo INSS e acabou sendo derrotado. Os únicos dois ex-governadores que não recebem aposentadorias são Alvaro Dias (PDT) e Requião.


