Lerner pede renúncia dos secretários
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quarta-feira, 01 de novembro de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) decidiu incorporar o discurso de seu ex-chefe da Casa Civil Alceni Guerra (PFL) e, ontem, passou a defender a demissão coletiva de todos os secretários e, consequentemente, dos outros ocupantes de cargos do primeiro escalão. Em matéria enviada aos jornais da Capital pela sua assessoria de imprensa, ele determinou que todos os secretários colocassem seus cargos à disposição até segunda-feira.
O recado foi bem entendido, mas ainda causa resistência por parte de alguns. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, não quis se pronunciar ontem, mas, por meio de sua assessoria, disse que tomará a decisão na segunda-feira. O governador mandou, tá mandado. Entrevistado pela Folha, na noite de terça-feira, ele deixou claro que não concordava em pedir demissão e que Lerner é quem deveria demiti-los.
A orientação da demissão, quando anunciada anteontem por Alceni, foi questionada por alguns secretários. Mas ontem, depois do pronunciamento por escrito do governador, teve de ser obedecida à risca. Todos os secretários pediram demissão, à exceção de Gionédis e de Lubomir Ficinski (Desenvolvimento Urbano), que está viajando. Através de seus assessores, Lerner afirmou que a troca do secretariado era líquida e certa e que não se admite outra hipótese, que não a saída dos titulares das 29 secretarias, da Procuradoria Geral do Estado, da chefia da Casa Militar, e dos presidentes da Copel e da Sanepar. Estes têm status de secretário.
Desde as eleições venho discutindo com os meus aliados essa reformulação. Estou preocupado apenas em criar novas condições para dar mais agilidade no trabalho que estamos desenvolvendo para o Paraná. Quero consolidar o sucesso da transformação que estamos realizando no Estado, observa Lerner na matéria da assessoria. Ele vai passar o dia, segundo seus assessores, isolado em seu gabinete no Chapéu Pensador, na subestação da Copel, para escolher os nomes dos novos secretários.
Somente a partir de segunda-feira à tarde Lerner deverá anunciar a nova equipe. O processo de renovação poderá, entretanto, se arrastar por mais tempo. Desde que assumiu pela primeira vez, em janeiro de 1995, as reformas de secretariado sempre viraram novela.
A decisão de isolar-se foi interpretada como uma forma de Lerner afastar-se do assédio de deputados estaduais e de outras pessoas de seu grupo político que, certamente, tentariam influenciar nas nomeações. Ontem, na Assembléia Legislativa, vários parlamentares da base aliada defenderam o enxugamento da máquina administrativa. O deputado estadual Algaci Túlio (PTB) pediu, durante pronunciamento no plenário, a fusão de algumas pastas. Na opinião dele, a Secretaria de Justiça que já perdeu sua função principal deveria se incorporar à da Segurança.
As eleições mostraram que a população não está satisfeita e o governador deveria aproveitar para enxugar a máquina, concordou o primeiro-secretário da Assembléia e ex-secretário da Agricultura (na primeira gestão de Lerner) Hermas Brandão (PTB). O presidente do Legislativo, Nelson Justus (PTB), quer maior participação política do novo secretariado. Na sua opinião, isso melhoraria o já bom relacionamento entre os deputados estaduais e o governo. (Colaborou Carmem Murara)


