O governador Jaime Lerner (PFL) aproveita a última semana que resta antes da convenções estaduais do PFL e do PTB - que no próximo domingo devem selar aliança política - para costurar uma chapa que lhe garanta a reeleição. Ontem, o governador ligou para o presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Vieira, em Brasília, para ouvi-lo sobre as movimentações políticas do PSDB, PPB e PMDB e assegurar o apoio do PTB à sua candidatura.
José Eduardo ficou com a incumbência de convencer a vice-governadora Emília Belinati (PTB) a abrir mão da sua candidatura ao Senado e permanecer na chapa como vice. Emília e José Eduardo tinham uma conversa agendada para ontem à noite, na casa do senador em Brasília. A condição colocada ao governador por José Eduardo é de que o ex-governador Paulo Pimentel (PFL) fique fora da chapa. ‘‘Estão ressuscitando um defunto’’, comparou o senador, que é adversário de Pimentel desde a disputa pelo Senado em 90.
No domingo passado, um grupo de pefelistas se reuniu num hotel em Curitiba para acertar a indicação de Pimentel como vice e fechar chapão entre PFL, PTB e a maioria dos partidos ‘nanicos’, na disputa proporcional. Na conversa preliminar mantida entre Lerner, o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), e o ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz, dentre outros integrante do staff do governador, Emília Belinati figurava como pré-candidata ao Senado. Ontem, as negociações refluíram.
No entendimento de setores ‘lerneristas’, a manutenção de Emília como vice facilitaria uma fórmula articulada pelo grupo político do governador. A sua permanência no cargo fortalece a eventual candidatura única do ex-governador Alvaro Dias ao Senado e poderá tirá-lo do páreo na briga pelo Palácio Iguaçu. Alvaro não confirma o ‘‘acordo branco’’ que estaria sendo selado com a cumplicidade do governador, mas voltou a admitir ontem a possibilidade de anunciar na semana que vem uma candidatura independente do PSDB ao Senado.
Para o ex-governador, a possibilidade de uma aparição ‘‘neutra’’ durante o processo eleitoral não facilitaria a reeleição de Lerner. ‘‘Acredito que a transferência dos meus votos será maior para o candidato das oposições (senador do PMDB, Roberto Requião)’, avaliou. Para o ex-governador, as conversas com o PPB e PTB ainda continuam ‘‘muito amarradas’’ e a sua decisão só será oficializada depois das convenções de domingo. ‘‘Se o PPB não nos acompanhar, fica difícil’’, ressalvou.
O presidente estadual do PPB, partido com o Alvaro costura uma negociação há meses, deputado federal José Janene, não escondia ontem o seu descontentamento com os tucanos. Um dos principais responsáveis pelo rompimento político da cúpula do PPB estadual com o governo do Estado, Janene não vê com bons olhos as novas movimentações do PSDB. ‘‘Se o Alvaro quiabar, vamos de candidatura própria’’, ameaçou. Segundo o dirigente, o PPB não abre mão do lançamento da candidatura do empresário Tony Garcia ao Senado.
Acuado com a possibilidade de uma adesão compulsória à chapa de Lerner, Janene tentaria mais uma investida para convencer Alvaro a pelo menos assumir uma candidatura ao governo, numa conversa em Curitiba, ontem à noite. ‘‘Se o Alvaro fizer qualquer tipo de acordo branco com o grupo do PFL, o eleitor não vai perdoar nem ele (Alvaro) nem o Lerner’’, ponderou. (L.D.)

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