Leandro Donatti
O governador Jaime Lerner (PFL) encontrou-se ontem à tarde, em Brasília, com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e com o embaixador do Brasil em Portugal, presidente de honra do PFL Jorge Bornhausen. A reunião, que durou cerca de duas horas, tratou da sucessão 98 e das costuras do Paraná para emplacar ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), em abril, prazo-limite para a desincompatibilização dos ministros-candidatos.
Lerner chegou por volta das 15 horas e deixou o Distrito Federal às 17 horas rumo a Imbituva, região Sudeste do Paraná, discretamente. Driblou a maioria dos deputados federais que o aguardava para uma conversa. Às 19h30min, tinha com o secretário dos Transportes, Heinz Herwig, solenidade marcada para a assinatura de convênios de pavimentação. Hoje, a romaria será em Irati e Prudentópolis. A agenda apertada fez com que Lerner mudasse seus planos de jantar ontem à noite com pefelistas, na casa do vice-presidente Marco Maciel (PFL-PE), em Brasília.
Nem os assessores mais chegados ao governador sabiam ontem o conteúdo da conversa. Acredita-se que Lerner tenha feito um relato da situação política estadual, onde PSDB e PFL são adversários locais, e defendido os nomes do presidente estadual do PFL, empresário José Carlos Gomes Carvalho, para o Ministério da Indústria e do Comércio; e do secretário especial de assuntos previdenciários, Renato Folador, para a Previdência Social, ocupada atualmente pelo paranaense Reinhold Stephanes.
Carvalhinho abre mão da sua pré-candidatura à Câmara Federal para ser ministro e a sua bandeira teria sido ‘abraçada’ pelo governador. Follador está em alta com seus projetos voltados aos fundos de pensão. Uma missão do Banco Mundial (Bird) esteve na última quarta-feira em Curitiba estudando a viabilidade de uma parceria com o governo do Estado na área. O governador estaria disposto ainda a reduzir eventuais resistências contra o nome de Follador.
No encontro, Lerner iria pedir ainda a ACM e Bornhausen - que a partir de março deixa a embaixada para reassumir o PFL - empenho da cúpula pefelista durante a sua campanha à reeleição. Conformado com a ausência do presidente Fernando Henrique que, através de interlocutores, já teria avisado que não pisa no Paraná para não se indispor nem com Lerner nem com o pré-candidato do PSDB ao governo, Álvaro Dias (PSDB), o governador estaria amarrando outros apoios oficiais na sua briga pela recondução ao Palácio Iguaçu.

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