Lerner pede mais humildade à equipe
Leandro Donatti
De Curitiba
A primeira reunião do ano 2000, entre o governador Jaime Lerner (PFL) e seu secretariado, foi para lavar roupa suja. Lerner cobrou ontem mais humildade dos secretários de Estado e menos arrogância. O governador disse que seu governo tem fama de arrogante no interior do Estado e que essa imagem precisa acabar de uma vez por todas. Quero tratamento igualitário para todos, até para o mais humilde e mais simples servidor público, pediu Lerner durante parte de sua explanação, no Chapéu Pensador, na subestação da Copel, em Curitiba.
O governador quer ainda que cessem o que ele chamou de picuinhas entre alguns secretários do Paraná. Não vou admitir que secretário ande boicotando secretário. Eu quero mais unidade, cobrou ele. O governador justificou o porquê de sua intenção em melhorar o mais rápido possível a imagem de sua administração. Lerner anunciou que não pretende encerrar sua carreira política em 2002. Deixou no ar se o seu projeto eleitoral é mesmo o de disputar indicação dentro do PFL para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ou então o de concorrer a uma das vagas do Paraná ao Senado.
Os secretários atenderam em massa a convocação, feita pela Chefia da Casa Civil ainda anteontem. Apenas cinco deles não compareceram por motivos de viagem: Alcyone Saliba (Educação), Sérgio Spada (Defesa do Consumidor), Eduardo Sciarra (Indústria e Comércio), Alex Beltrão (Assuntos Estratégicos) e Renato Follador Junior (Previdência). A vice-governadora, Emília Belinati (PTB), e o líder do Governo na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PTB), também acompanharam a explanação do governador. Nas quase duas horas de reunião, apenas Lerner falou.
O governador afirmou ainda que não se arrependeu de nenhuma medida administrativa que tomou nos cinco anos do seu governo, exceto não ter privatizado o Banestado no primeiro dia de seu governo, em 1º de janeiro de 1995, quando assumiu o Palácio Iguaçu pela primeira vez. Para Lerner, ter estancado o rombo do banco já no início sem colocar recursos públicos na esperança de recuperar a instituição teria sido a decisão mais acertada e menos traumática.
E avisou que o Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Crafe), criado por ele mesmo em 98, para enxugar os gastos da máquina e folha de pagamento, continua com as suas funções submissas às suas ordens. Lerner disse que cabe a ele definir o que é prioridade para investimentos.
Nos poucos momentos em que ouviu, Lerner abriu espaço para o líder do governo na Assembléia falar. O pito dado pelo governador foi o gancho que Valdir Rossoni precisava para cobrar dos secretários mais cumplicidade e entrosamento com os deputados na hora de o governo inaugurar obras no interior. Rossoni acha que é dever dos secretários convidar e comunicar os deputados da região para as solenidades. A reivindicação de Rossoni será atendida, pelo menos foi o que ficou acertado ontem.
Na terça-feira, o deputado reúne-se com o chefe da Casa Civil, Tato Taborda, para colocar no papel os candidatos a prefeito de cada deputado. Tudo para Lerner não colidir com aliados durante a campanha eleitoral.





