O governador Jaime Lerner (PFL) pediu ontem aos secretários de Estado que economizem com as despesas de custeio, necessárias para manter a máquina do governo em funcionamento. O apelo foi feito durante reunião no Chapéu Pensador - o gabinete do governo localizado na subestação da Copel, em Curitiba. Lerner ficou reunido a portas fechadas com os secretários durante três horas. Somente os secretários do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, e da Política Habitacional, Rafael Dely, não compareceram.
A meta do governo é economizar ao máximo para não comprometer a execução dos programas que já estão em andamento. No início de outubro, o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, havia anunciado que o plano do Poder Executivo era cortar em 50% o volume de gastos. A medida baixaria, segundo o secretário, de R$ 50 milhões para R$ 25 milhões a cota do custeio por Secretaria. O custeio envolve despesas com água, luz, aluguéis e viagens. O secretário de Comunicação, Jaime Lechinski, participou da conversa com Lerner ontem e disse que ‘‘não passou de uma reunião de trabalho’’, classificando-a como ‘‘uma apertada de porcas e de parafusos’’.
Um cronograma especial de visitas do governador ao interior, que será fechado nos próximos dias, também foi tema da reunião com o secretariado ontem. Segundo o assessor especial do governador, Guaraci Andrade, Lerner só participará das principais inaugurações, deixando as demais a cargo dos secretários de Estado. Os deputados estaduais e federais também farão parte desse processo, garante Andrade. ‘‘Existem muitas obras para serem tornadas públicas. Por isso é que estamos defendendo uma agenda especial onde todos possam contribuiur’’, justifica.
O presidente da Copel, Ingo Hubert, também foi convocado para o encontro. O processo de venda das ações da empresa não foi formalmente tratado, mas estaria preocupando o governo. A crise nas bolsas de valores forçou o Executivo a repensar o processo de comercialização dos títulos. Principalmente porque o governo colocou um lote de 4 bilhões de ações no mercado para ser vendido no varejo até fevereiro do ano que vem. A venda de ações é vista como fonte de recursos para investimentos.
A reunião de ontem também serviu para tranquilizar a equipe internamente. Lerner teria dito que não faltarão recursos para as obras prioritárias do governo. Um levantamento feito pela Secretaria da Fazenda dá conta que o ‘‘Paraná é um dos pouquíssimos, senão o único, Estado a obter privilégios junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com descontos na taxa de permanência, por ser bom pagador’’.
No caso do Paraná Urbano, por exemplo, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, diz que ‘‘o BID ofereceu, na última semana, outros R$ 150 milhões’’. ‘‘Além dos R$ 249 milhões já contratados, para financiar mais projetos de infra-estrutura e equipamentos urbanos’’, emenda. A Secretaria da Fazenda reforça a tese de Ficinski e alega que o Estado possui um saldo para aplicação de R$ 249 milhões, entre o BID IV, Paraná Urbano, Prosam (Programa de Saneamento Ambiental) e Programa de Qualidade de Ensino.

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