Lerner pede auditoria na Banestado Leasing
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domingo, 02 de março de 1997
Sérgio Wesley Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaPara conferirGionédis descarta irregularidade, mas anuncia auditoriaO governador Jaime Lerner encaminha hoje ao presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, pedido de auditoria nas operações da Banestado Leasing. O pedido foi provocado por denúncias do senador Roberto Requião (PMDB), publicadas ontem pela Folha de Londrina. Segundo Requião, existe fraude na emissão de debêntures pela Banestado Leasing, que estaria quebrada em função do favorecimento de amigos do governo.
O pedido de auditoria na Banestado Leasing foi confirmado ontem pelo secretário Giovani Gionédis, chefe da Casa Civil. As denúncias do senador Requião, em sua maior parte, não têm fundamento. A Banestado Leasing é uma empresa privada e não opera com títulos do Tesouro do Estado. Como o governo é o controlador do Banestado, que por sua vez controla a empresa de leasing, todas as operações de emissão de debêntures serão auditadas, esclareceu.
O secretário da Fazenda, Miguel Salomão, disse que o senador Requião está misturando as bolas ao incluir as operações da Banestado Leasing nas investigações da CPI dos Títulos Públicos. Segundo ele, os R$ 300 milhões em debêntures emitidas pela Banestado Leasing não têm qualquer relação com as ações da Copel ou qualquer outro título do Tesouro do Estado.
A Banestado Leasing é uma empresa privada que emite debêntures para financiar seus clientes na aquisição de bens. A empresa opera com arrendamento mercantil e pode negociar com qualquer corretora, explicou Salomão.
O secretário da Fazenda não soube confirmar se a Banestado Leasing negociou suas debêntures com corretoras como a IBF e a Boasafra, citadas por Requião como participantes do esquema nacional de negociação irregular dos títulos públicos. Salomão disse que quem responde pela Banestado Leasing é a sua diretoria e a direção do Banestado. O ex-presidente da Banestado Leasing era o atual secretário de Esportes e Turismo, Osvaldo dos Santos Filho.
Quanto à emissão de debêntures da Copel, os secretários Giovani Gionédis e Miguel Salomão referendaram as declarações do governador Jaime Lerner. Todas as operações feitas pelo Tesouro do Estado e a Paraná Investimentos foram com a Banestado Corretora e a BNDES Participações, garantiu Salomão.
As debêntures emitidas pela Paraná Investimentos foram negociadas apenas com a BNDESpar, sem a participação de corretoras privadas. As ações da Copel que a BNDESpar não aceitou, o Tesouro do Estado vendeu em leilão na bolsa de valores através da Banestado Corretora. As corretoras privadas não participaram das negociações dos títulos públicos no Paraná, garantiu Gionédis.


