Lerner oficializa rompimento com ex-governador José Richa
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segunda-feira, 24 de setembro de 2001
Leandro Donatti<br> De Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) oficializou ontem o seu rompimento político com o ex-governador José Richa (sem partido). O Palácio Iguaçu distribuiu no final do dia uma nota oficial comentando as declarações feitas por Richa, que criticou o governo do Estado na última sexta-feira, minutos antes de gravar um programa de televisão. Richa disse que Lerner perdeu a oportunidade de ser um grande governador. Além da manutenção da Copel nas mãos do Estado, o ex-governador defendeu a independência do novo PSDB, formado com a saída do senador Alvaro Dias, alojado no PDT desde sábado.
''Não pretendo alimentar polêmica com o ex-governador José Richa. Pelo respeito, lealdade e consideração que sempre dediquei ao ex-governador, suas declarações me causaram profunda decepção, pelas injustiças nelas contidas'', começa a nota oficial, assinada por Lerner. ''Ao injustiçar amigos, ele homenageia inimigos que sempre o traíram'', segue o desabafo do governador. Lerner deu a entender ainda que o filho de Richa, o vice-prefeito de Curitiba Beto Richa (que deve se filiar ao PSDB nos próximos dias), só se elegeu graças ao seu governo. ''Na última eleição para prefeito de Curitiba, a candidatura do deputado estadual Beto Richa a vice-prefeito não só nasceu dentro do governo como também foi viabilizada por minha iniciativa'', declarou.
O governador disse que Richa ainda mantém indicados no seu governo. ''Pessoas como Euclides Scalco (diretor brasileiro da Itaipu Binacional), Karlos Rischbieter (ex-ministro) e Saul Raiz (ex-prefeito de Curitiba), a quem muito estimo, foram as primeiras a serem convidadas para integrar o governo, desde a minha primeira gestão. Não puderam aceitar. Mas deles e de outros do mesmo padrão tive sempre ajuda e cooperação, e a eles sempre serei grato'', afirma o governador, em tom de mágoa.
A Folha tentou ouvir ontem José Richa, mas o ex-governador não estava em sua residência em Curitiba. O filho, Beto Richa, não quis comentar o teor da nota do governo. Interessado direto na desavença entre Lerner e Richa, o senador Alvaro Dias foi irônico. ''Esse jogo eu só assisto da arquibancada'', declarou Alvaro. As diferenças entre Lerner e Richa sempre foram abafadas, principalmente pelo governador. Richa tentou filiar Lerner no PSDB, em 1995, mas o seu projeto foi barrado por Alvaro Dias, que dominava o ninho tucano na época. O primeiro indício de desentendimento entre Lerner e Richa foi quando o Palácio Iguaçu exonerou Ênio Malheiros, fiel-escudeiro de Richa, da Imprensa Oficial, levantando suspeitas sobre sua honestidade.


