O governador Jaime Lerner já está com o seu discurso pronto para a conversa de hoje, no Rio de Janeiro, com o presidente do PDT, Leonel Brizola. Vai negar que tenha manifestado vontade de mudar de partido e dizer que tudo não passou de especulação. Até a tentativa frustrada de ingressar no PSDB, pelas mãos do ex-governador José Richa, deve ser desmentida.
‘‘Eu não falei nada sobre nenhum assunto partidário e não falo, porque qualquer coisa pode ser noticiada e trabalhada de forma indevida. Eu não sei de onde tiraram essas informações’’, ensaiava ontem o governador, que fez questão de não confirmar a audiência de hoje com Brizola. A viagem ao Rio já está confirmada desde anteontem pelo Palácio Iguaçu e pela assessoria do gabinete de Brizola, no Rio.
Lerner ficou irritado com o vazamento da data da conversa. ‘‘Quero deixar uma coisa bem clara, os diálogos existem, mas não precisam ser antecipados com platéia’’, reagiu. O governador garante que as pessoas saberão da sua decisão - se houver - ‘‘nos devidos momentos.’ ‘‘Não estou disposto a estimular mais nenhum boato’’, emendou. ‘‘Não falo mais nada, serei um túmulo’’, prometeu.
A única informação que o governador deve assumir diante de Leonel Brizola é a de que passa por um momento de reflexão, mas com a ressalva de que isso não implica em troca de partido. ‘‘Eu sei o caminho que vou tomar, mas é importante que neste momento se encerrem as especulações’’, apelou.
Lerner evitou comentar as declarações feitas por Brizola na última quarta-feira. O ex-governador do Rio disse que ficou ‘‘perplexo com as manobras de Lerner para se filiar no PSDB’’. ‘‘Ele (Lerner) recebeu muito cafuné da gente, cresceu demais e agora não quer mais olhar para o ranchinho’’, resumiu Brizola, para quem uma possível saída do governador do Paraná não traria prejuízos políticos para o partido.
Os mais próximos de Lerner apostam na habilidade do governador em colocar panos quentes na crise interna instaurada na cúpula do PDT, que pede explicações sobre a ‘novela’ em que se transformou sua indefinição partidária. Outra ala acredita que o governador sai do PDT e fica sem partido até setembro deste ano, prazo-limite para a filiação dos candidatos que pretendem concorrer às eleições de 98.

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