O governador Jaime Lerner disse ontem que a venda das ações da Copel não é assunto para a CPI dos Títulos Públicos. Segundo ele, o Senado Federal não pode confundir a negociação de precatórios com a transformação de ações em investimentos. ‘‘A transformação de ações em investimentos é procedimento normal, adotado pelos governos anteriores e pelo governo federal’’, afirmou.
O envolvimento do nome da Copel e do governo do Paraná nas investigações da CPI do Senado deixou Lerner irritado. Ontem, ele evitou falar sobre o assunto e tentou por cinco vezes antecipar o fim da entrevista com os jornalistas.
Segundo o secretário da Fazenda, Miguel Salomão, o governo do Paraná já vendeu 3% das ações ordinárias que detinha na Copel e 4,5% das preferenciais. As preferenciais foram vendidas na bolsa de valores pela Banestado Corretora por R$ 92 milhões. As ordinárias foram negociadas pela BNDES Participações no valor de R$ 80 milhões. O Paraná ainda tem outros R$ 318,7 milhões de ações ordinárias da Copel securitizadas junto ao BNDES.
Lerner admitiu que o resultado da venda das ações da Copel não foi reinvestido no setor elétrico. A aplicação dos recursos do setor elétrico em outras áreas foi um dos questionamentos feitos pelo senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), sub-relator da CPI dos Títulos Públicos. ‘‘O dinheiro foi usado em investimentos de toda a natureza, a maior parte em obras’’, afirmou o governador.
O secretário Giovani Gionédis (Casa Civil) lembrou que a lei aprovada pela Assembléia Legislativa, autorizando a venda de até 40% das ações que o governo detém na Copel, proíbe apenas que os recursos sejam gastos com o custeio da máquina administrativa e com o pagamento de pessoal.
Gionédis disse que o custo do Paraná na negociação das ações é o menor do Brasil. ‘‘Nosso custo é de TJLP mais 8% e a taxa cobrada pela Banestado Corretora é de 3%, também a menor do mercado’’, afirmou.
O governador Jaime Lerner colocou-se à disposição do Senado para prestar qualquer esclarecimento sobre o caso. O secretário da Fazenda lembrou que o governo e a Paraná Investimentos, empresa controlada pelo Estado, ainda detêm 85% das ações da Copel com direito a voto.
Salomão destacou que as negociações das ações da Copel estão sendo feitas com a BNDESpar e a Banestado Corretora, sem intermediários. Ele explicou que apenas 20% das ações ordinárias oferecidas como garantia dos empréstimos contratados pelo governo junto ao BNDES foram vendidas no mercado. Ao todo, o Paraná já emitiu R$ 398,7 milhões em debêntures para obter empréstimos do BNDES.
Cesp e Cemig O presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Andrea Matarazzo, negou hoje que haja irregularidade nas debêntures lançadas pela empresa. ‘‘As debêntures sempre foram emitidas no valor de face, sem deságio, e a emissão sempre é coordenada por instituições de primeira linha, lideradas pela Banespa Corretora’’, disse.
O governo mineiro também negou ontem ter cometido irregularidades na emissão de debêntures conversíveis em ações ordinárias da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), como foi denunciado no fim de semana por integrantes da CPI dos Títulos Públicos.

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