Lerner não reconhece dinheiro desviado
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sexta-feira, 09 de março de 2001
Valmir Denardin De São José dos Pinhais 
O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem que, se parte do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina foi usada em sua campanha, em 1998, isso ocorreu sem o seu conhecimento e de seu comitê, centralizado em Curitiba. O processo de eleição foi totalmente centralizado e não teve nada a ver com as eleições nos 399 municípios (do Paraná), afirmou Lerner ontem à tarde, durante uma visita a obras na BR-277, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba).
Conforme a Folha revelou ontem, um relatório que está sendo investigado pelo Ministério Público cita vários acusados de envolvimento nos desvios de recursos da prefeitura como participantes ativos na campanha de reeleição de Lerner e de sua vice, Emília Belinati (PTB), em Londrina e outros 19 municípios do Norte do Estado.
Segundo auditoria divulgada ontem pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), entre 1997 e 1999 foram desviados cerca de R$ 100 milhões da Prefeitura de Londrina. O rombo ocorreu durante o mandato do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido), marido de Emília.
O relatório que aponta ligações de acusados pelos desvios com a reeleição de Lerner foi elaborado por Rafael Fuentes, funcionário do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Londrina e um dos responsáveis pela campanha do governador na região. Entre os citados estão três colaboradores de Belinati, todos indiciados por integrar o esquema: Gino Azzolini Neto, ex-secretário de Governo; Eduardo Alonso, ex-diretor administrativo-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, atual CMTU); e Mauro Maggi, ex-presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).
Ontem, Lerner repetiu o argumento usado por seu coordenador financeiro na campanha de 98, Mário Lopes. Eles afirmam que toda a arrecadação e pagamentos foram centralizados no comitê de Curitiba. Nos 399 municípios, o que é iniciativa de cada pessoa é de responsabilidade dela, completou.
Segundo Lerner, sua prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deixa a situação bem clara. Para ele, estaria havendo uma tentativa de uso político do episódio.


