Lerner não quer mais ser usado pelos aliados
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Leandro Donatti 
O governador Jaime Lerner (PFL) diz não querer mais ser usado como instrumento de um jogo por espaços entre os partidos que dão sustentação ao seu governo. Por isso, anuncia que vai ficar acompanhando à distância o processo de discussão da aliança para as eleições de outubro.
Chega. Acabou. Não quero mais ser usado. Como governador, só entrarei nas horas mais importantes, afirma. Segundo Lerner, a responsabilidade pelas negociações com os aliados, em torno da sua reeleição, ficará com o chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira.
O desabafo de Lerner vem depois um período conturbado de conversações e de negociações frustradas. PPB e PTB, partidos tidos como aliados, divergem internamente das orientações do Palácio Iguaçu e resistem em compor com o PFL. Eles trabalham pelo lançamento de candidaturas próprias ao governo do Paraná.
A conversa política é com a Casa Civil e o governador, na hora que achar importante, e respeitando as lideranças de todas as siglas, se pronunciará. Nós plantamos juntos essa grande transformação e no momento da colheita quero os aliados junto, reforça o governador.
Lerner sinaliza ainda que não mudará os rumos da sua administração ou a forma de governar, para atender reivindicações. Nós vamos sugerir os nossos caminhos. Quem quiser que venha agora, alerta. Ele diz que está cansado do vai e vem e que o momento é de voltar-se para as ações de governo.
O discurso de Lerner é bem recebido pelos aliados mais próximos. O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), considera a posição do governador oportuna. Todos os esforços e sinais já foram enviados, até de forma exagerada, diz.
Com carta branca para falar em nome do governador, o chefe da Casa Civil afirma que não há estratégia para reconquistar o apoio integral do PPB e PTB. Os aliados vão resolver estas pendências internas e, no final, tudo se reverterá em favor do governador, aposta. Para Cândido Martins, não é o momento de interferir em brigas domésticas.


