O governador Jaime Lerner (PFL) sinalizou ontem em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, que não vai ceder às pressões do presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), e demitir Manoel Garcia Cid (Neco Garcia), da presidência do Banestado. ‘‘Para mim esse assunto está resolvido e não tem por que colocar mais pimenta’’, declarou, durante a visita do presidente mundial da Renault, Louis Schweitzer, às instalações da montadora.
Esta foi a única declaração oficial do governador sobre a crise política instaurada entre Neco Garcia e os deputados estaduais, tachados de ‘‘maus pagadores’’ pelo dirigente do banco. E vem depois de três dias de silêncio. A estratégia do governo é superar a crise com o passar dos dias. ‘‘O feriadão decretado pela Assembléia, que volta só na quarta-feira que vem as atividades, vai ajudar nisso’’, avaliava ontem uma fonte ligada ao governador.
Ressentido com a permanência de Neco Garcia e ‘neutralidade’ do governador, o presidente da Assembléia voltou a condicionar a aprovação da lei que prevê a privatização do Banestado - junto ao Banco Central - ao afastamento de Garcia. ‘‘Se ele permanecer no banco, é um sinal de que o governo não quer mais a privatização do Banestado’’, provocou Khury, ontem à tarde, na presença do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que foi até à Assembléia entregar as prestações de contas do governo do exercício financeiro de 97.
As declarações de Gionédis confirmam a estratégia do governo de vencer as resistências dos deputados no cansaço. ‘‘Tudo vai se resolver com o diálogo. Nós sabemos que toda a ação corresponde a uma reação’’, observou. Ele se eximiu ainda das responsabilidades sobre as declarações de Garcia, apesar de ser o presidente do Conselho Administrativo do Banestado, hierarquicamente superior. ‘‘Até que não for demitido, o presidente do banco responde pelos seus atos’’, observou o secretário.
Ele não acredita que a bronca dos deputados persistirá até que a proposta de lei de privatização entre em pauta. Gionédis disse que aguarda os números oficiais do Banco Central, para encaminhar a mensagem, segundo ele, ‘‘simples e objetiva’’. O secretário admite que a privatização não foi uma imposição, mas uma preferência do governo do Estado. ‘‘Teríamos de investir R$ 1,3 bilhão sem nenhuma garantia de que recuperaríamos o Banco. Dinheiro não seria o problema, mas um caso como esse é questão de preferência’’, assinalou Gionédis.

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