O senador Osmar Dias (PSDB-PR), irmão do também senador tucano Alvaro Dias, presidente estadual do partido, contestou ontem as declarações do governador Jaime Lerner (PFL) – que no dia anterior havia posto na oposição a culpa pelos desvios na Prefeitura de Maringá e afirmou não ter apoiado a campanha do ex-prefeito Jairo Gianoto (PSDB, hoje sem partido) em 1996.
Osmar disse que as afirmações do governador ‘‘não merecem consideração’’ e ‘‘vão cair no ridículo’’. Para ele, Lerner não pode simplesmente ‘‘renegar a ligação política que tinha com Gianoto. Isso demonstra falta de consideração’’. Gianoto apoiou abertamente a candidatura de Lerner nas eleições de 1998, mas o governador sustentou na sua entrevista aos jornalistas, no Palácio Iguaçu, que não apoiou Gianoto nas mesmas eleições.
‘‘A ligação entre Lerner e Gianoto nunca foi segredo para ninguém em Maringᒒ, emendou Osmar. O senador afirmou que não adianta jogar a culpa no PSDB ou na oposição. ‘‘Quem rouba são as pessoas e não os partidos’’, argumentou. De acordo com ele, não se pode esquecer que os desvios em Maringá – que podem ultrapassar R$ 100 milhões – estão acontecendo há várias gestões e envolvem diversos partidos políticos. Osmar apontou que o candidato a vice do Gianoto, Willy Taguchi, era do PFL.
O senador tucano reconhece que participou da campanha de Gianoto em 1998. ‘‘Estive na campanha dele, mas apoiei apenas o candidato do partido, e jamais os escândalos que vieram depois. Sou uma pessoa honesta e não aprovo esse tipo de atitude’’, declarou Osmar. Alvaro Dias foi novamente procurado ontem pela Folha, mas não retornou as ligações.
O tesoureiro da executiva estadual do PSDB, Edson Gradia, disse que ‘‘o problema de apoio ou não entre o governador e Gianoto é deles’’. Para ele, ‘‘não há motivo para o senador Alvaro Dias se envolver’’. Segundo Gradia, a opinião pública é que vai tirar uma conclusão. Ele afirmou que as contas de campanha estão à disposição no TRE, incluindo os comprovantes de vôo de avião fretado pelo senador da empresa San Marino, que pertencia ao doleiro Alberto Youssef, de Londrina.
A investigação sobre os desvios de recursos da Prefeitura de Maringá atinge também os prefeitos anteriores a Gianoto: Said Ferreira (ex-PMDB) e seu antecessor Ricardo Barros, hoje deputado federal pelo PPB, mas que se elegeu prefeito pelo PFL. Todos estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas. Uma auditoria realizada pelo TC, divulgada no final de janeiro, detectou rombo de R$ 54,352 milhões entre 1997 e julho de 2000 na prefeitura. O período é relativo à gestão de Gianoto.
Os dados da auditoria feita nas contas de Said estão sendo consolidados e devem ser divulgados nas próximas semanas. Na segunda-feira, começa a devassa nas contas durante a gestão de Ricardo Barros (1988-92). O TC pretende investigar as contas da prefeitura desde 1986.
Em seu segundo depoimento à Justiça Federal, no dia 23 de fevereiro, o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi disse que um volume de dinheiro, não identificado, desviado da prefeitura financiou as campanhas do governador Lerner e do senador Alvaro Dias na região Noroeste. Paolicchi está preso desde o dia 7 de dezembro.

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