Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) sinalizou ontem que não pretende acolher o Plano de Demissão Voluntária (PDV) idealizado pela secretária de Administração, Maria Elisa Paciornik, para enxugar a folha de pagamento e ajudar o Paraná a enquadrar-se na Lei Rita Camata, que limita em 60% das receitas líquidas os gastos com o funcionalismo. Lerner ficou irritado com o vazamento de detalhes de um assunto administrativo, deixado em banho-maria nos últimos meses e considerado o mais áspero, sob o ponto de vista político, do plano de ajuste fiscal em vigor desde novembro do ano passado, por envolver servidores concursados e comissionados.
Lerner cancelou a reunião do Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Crafe) marcada para às 17 horas de ontem, quando o pacote de medidas contendo PDV, terceirizações e desligamentos temporários de servidores públicos seria apresentado pela própria secretária aos integrantes do Conselho. O Crafe reúne-se hoje às 11 horas, segundo o Palácio Iguaçu para discutir ‘‘pauta rotineira’’. O governador informou através de sua assessoria que não vê com simpatia a idéia de um PDV nesse momento, pelos custos financeiros que o plano representaria para os cofres do governo e por não trazer vantagens reais imediatas.
Procurada pela Folha ontem à tarde, Maria Elisa Paciornik disse por telefone que mesmo assim apresentará o pacote de medidas hoje, na reunião do Crafe. Nos bastidores, a secretária teria ficado chateada com o recado dado pelo governador de que o PDV e o corte de servidores, numa primeira análise, não têm seu respaldo político. O plano de contenção de Maria Elisa demorou duas semanas para ser arrematado. Além de PDV e desligamento temporário, que não seria extensivo no seu projeto a agentes de saúde, de segurança, e professores, a secretária propõe mudanças e cortes em outros setores.
O vazamento do conteúdo do plano elaborado pela Secretaria de Administração movimentou a base aliada ontem. No Palácio Iguaçu, os comentários eram de que um PDV agora só traria instabilidade política além de criar um clima de terrorismo entre os servidores públicos estaduais. Na Assembléia Legislativa, os bastidores davam conta que antes de um PDV, o governo estaria obrigado politicamente a mexer nos quase 3 mil comissionados (indicados por critérios políticos) que mantém atualmente. ‘‘Se não mexer nisso, vai pegar muito mal’’, analisou uma fonte.
A reunião do Crafe, certamente começará em clima tenso. O sinal emitido pelo governador ontem criou um mal-estar entre Lerner e Maria Elisa, apesar da aparência ser de harmonia entre os dois. O governador tenta na reunião de hoje dissipar o constrangimento. Bem como cobrar dos secretários do Crafe mais sigilo sobre as ações envolvendo o governo.
José Cid Campêlo Filho, secretário do Governo, seguia à risca a orientação do governador ontem. ‘‘Depois da reunião falo tudo. Antes de jeito nenhum’’, respondia o secretário, quando indagado sobre o assunto. No caso do PDV, o secretário disse que o assunto é muito delicado e deve ser tratado com bastante cuidado pelo governo, para não desfalcar a máquina nem abrir brechas para que bons funcionários peçam desligamento.

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