Lerner não contém crise com aliados
Leandro Donatti
O jantar oferecido pelo governador Jaime Lerner (PFL), anteontem, na sede do Departamento de Transporte Oficial (Deto), em Curitiba, não foi suficiente para acabar com o descompasso do governo com sua base aliada na Assembléia Legislativa. Nova ação política desarticulada pegou o Palácio Iguaçu de surpresa ontem. O líder do governo Valdir Rossoni (PTB) apresentou requerimento pedindo a convocação do secretário de Segurança Cândido Martins de Oliveira, para uma sabatina sobre as fitas que acusam o governo Lerner de violência contra integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em desocupações de áreas invadidas (leia na página 6).
A iniciativa não foi bem vista por setores do governo. Valdir Rossoni e o secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, discordaram. A trombada se deu nos bastidores. Não sou contra nem a favor. É uma decisão tomada pelo líder do governo, declarou Taborda. Se ele não gostou é porque não analisou a questão sob o ângulo político. Queremos que o Candinho venha para acabar de uma vez com essa crise, reagiu Rossoni. A atitude do deputado causou estranheza no Palácio Iguaçu. No jantar, Rossoni apelava em nome da unidade com o governo.
O jantar estava ótimo. Tinha uma saladinha e uma picanha ao molho de alguns problemas, tentava descontrair ontem Rossoni. O deputado foi um dos que mais discursaram anteontem. Ele pediu aos companheiros de bancada para que se esforcem em não trazer problemas paralelos, principalmente nesse momento em que a crise com os sem-terra, professores e concessionárias de pedágio está no seu auge. Segundo relato de parlamentares governistas que compareceram ao jantar, Rossoni deu a entender ainda que a situação financeira não recomenda a apresentação de projetos que tirem mais recursos do poder público.
Ontem, depois da trombada com a Casa Civil, o discurso mudou. Rossoni disse que os aliados não trazem problemas ao governo. O Lerner não tem do que reclamar, afirmou. Ele deveria agradecer a Deus todos os dias, somou-se o presidente da Assembléia, Aníbal Khury, que ficou poucos minutos no jantar. Fiz um apelo para que os deputados tenham mais compreensão com o governador. Não adianta, quando ele vê um deputado tem coceira cerebral. Khury disse que em troca da compreensão, Lerner se comunicará mais. Ele aprendeu com o Chacrinha: quem não se comunica se trumbica.
Lerner não quis se indispor. Deixou o puxão de orelha para Rossoni. O governador aproveitou o verniz de confraternização do jantar para prometer a solução dos problemas. Sinalizou que as finanças do Estado estarão equacionadas a curto prazo. Ele está apostando na venda da Copel e num empréstimo no BNDES, contou uma fonte à Folha. Segundo a fonte, o governador pediu união e otimismo à bancada de sustentação. Lerner anunciou que uma vez por mês quer reunir-se com os deputados e que, para compensar a escassez de recursos, pretende inaugurar 600 obras. A romaria começa hoje com a inauguração de cinco trechos de estradas.





