Lerner mostra insatisfação com aliados
Leandro Donatti
O governador do Paraná Jaime Lerner (PFL) tenta reunir o máximo das forças aliadas para enfrentar a pior crise política de seu governo, no segundo mandato. No meio de um furacão provocado pelos sem-terra, professores e pelas concessionárias do pedágio, Lerner tem demonstrado, nos bastidores, descontentamento com a bancada aliada na Assembléia Legislativa. Uma sucessão de projetos que tiram recursos financeiros dos cofres públicos e uma série de ações desarticuladas têm dado fôlego às críticas da oposição, na avaliação do governo. Ontem, os deputados foram convocados para um jantar com o governador.
O secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, passou a tarde arrebanhando os parlamentares. Tato Taborda almoçou com o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), que não pretendia comparecer ao jantar oferecido pelo governo. Sem adiantar a pauta, o chefe da Casa Civil fez um apelo para a presença maciça dos aliados. No script preparado para o governador e que seria lido no jantar, um discurso de unidade, um desabafo pedindo aos aliados para que parem de fomentar crises paralelas, que só agravam a situação interna do governo.
O projeto que proíbe a terceirização na cobrança de multas, rechaçado pelo governo Lerner, mas levado adiante por uma série de parlamentares da base aliada; idéia de Ricardo Chab (PTB), de proibir o governo de cortar água e luz de usuários em atraso com suas contas; e os cochilos da base governista na questão do plano de cargos e salários exigido pelos professores da rede pública, e que rendeu alguns dias de mídia negativa ao Palácio Iguaçu, são apenas algumas das pedras no sapato que vêm se acumulando nos últimos dias, na avaliação do governo, e que poderiam ser estancadas com uma ação conjugada de seus aliados.
A última trapalhada da bancada de sustentação de Lerner foi ter aprovado ontem a constituição da Frente Parlamentar de Defesa da Agricultura Familiar e Reforma Agrária do Estado. Dezessete deputados governistas assinaram um documento preparado pelo presidente da Comissão de Terras e deputado de oposição, Nereu Moura (PMDB). Os aliados não lerem o conteúdo que fazia defesa ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e pesadas críticas ao Palácio Iguaçu e às políticas agrárias adotadas pelos governos estadual e federal. O líder do governo na Casa, Valdir Rossoni (PTB), acusou Moura de manobra.
Hoje, a pequena agricultura familiar vem enfrentando uma crise sem precedentes, decorrente da política adotada pelo governo federal, seguida à risca pelo governo estadual... A sociedade, assim como os agricultores, encontra-se abandonada pelo governo por ela eleito e reeleito... Pressionado pelos latifundiários e, infelizmente, por alguns integrantes deste Poder (Legislativo), o governo do Paraná tem se mostrado disposto a executar os despejos de sem-terra... Estes são apenas alguns dos trechos do documento avalizado pelos aliados de Lerner, ontem.
Rossoni levou para o jantar com o governador pelo menos uma boa notícia: o projeto que veda a terceirização das multas ficou para ser apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça em agosto, na volta do recesso (leia abaixo). A matéria recebeu parecer que se choca aos interesses do governo, manifestado não pela oposição, mas pelo aliado Moysés Leônidas (PDT).





