Lerner mantém Cândido na Segurança
CRIME ORGANIZADO Lerner mantém Cândido na Segurança Colocado sob suspeita pela CPI, secretário da Segurança ganha apoio do governo, que nega mexidas no primeiro escalão Arquivo FolhaALÍVIOCândido Martins: mantido por Lerner no primeiro pronunciamento público do governador sobre as denúncias da CPI Carmem Murara De Curitiba O governador Jaime Lerner saiu ontem em defesa do secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, que foi colocado sob suspeição por testemunhas ouvidas na CPI do Narcotráfico. Lerner fez questão de enfatizar que confia no secretário, pois até agora não há qualquer prova de que ele esteja envolvido com o tráfico de drogas. Se eu estou fazendo isso (determinando que o secretário elabore as mudanças na Polícia Civil) é porque confio nele, afirmou o governador, ontem pela manhã, durante uma solenidade na montadora Volkswagen/Audi, em São José dos Pinhais. Foi a primeira vez que Lerner deu declarações em público sobre a passagem da CPI do Narcotráfico pelo Paraná. Quando os trabalhos terminaram, na quarta-feira que antecedeu o Carnaval, Lerner embarcou para Los Angeles (EUA), de onde retornou no final de semana. O governador quebrou o silêncio ao garantir que não pretende substituir o secretário, como fez com o ex-delegado geral, João Ricardo Noronha. Lerner disse que vai manter o secretário, enquanto os fatos não estiverem esclarecidos. Jamais pode haver prejulgamento de qualquer pessoa. Quando isso ocorre todos se sentem ameaçados. Não dá para enxovalhar ninguém. Não dá para colocar alguém para ser linchado, porque há uma citação do nome, justificou o governador. Ele descarta uma mudança no secretariado, segundo informações que surgiram no Palácio Iguaçu. A troca na Secretaria de Segurança tem sido um dos assuntos mais comentados nos gabinetes do governo do Estado, desde que a CPI encerrou seus trabalhos. O dúvida que os deputados membros da CPI levaram na bagagem era sobre a conivência do secretário com os policiais e delegados acusados de envolvimento com o crime organizado. O deputado Pompeo de Matos foi um dos que mais atacaram, dizendo que era difícil um secretário não saber o que acontecia nos escalões inferiores. A maior denúncia recebida é do delegado João Ricardo Noronha, apontado como um dos comandantes do narcotráfico no Estado. O governador prefere não tecer comentários sobre as denúncias que atingiram a Polícia Civil, sob a justificativa de que não se pode fazer prejulgamento. Por enquanto, há apenas acusações feitas por ex-policiais presos por tráfico de drogas e por ex-traficantes. Até agora, o governador exonerou do cargo o delegado Noronha. Ele afastou ainda cerca de 30 policiais civis e delegados. Para apurar as denúncias contra a Polícia Civil, o governador aposta na Comissão Especial formada por secretários de Estado, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil. Cândido Martins ficou de fora da comissão. O governador Jaime Lerner reafirmou ontem que foi opção do próprio secretário de Segurança não participar dos trabalhos. O Cândido não participa porque ele pediu. Eu o designei para a tarefa de preparar todos os dados da reforma que vamos fazer na Polícia Civil, afirmou o governador.





