Lerner lidera dança partidária no PR
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sábado, 04 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaOfensivaJaime Lerner: esvaziamento do PDT e ofensiva vitoriosa sobre os tucanos do ex-governador Álvaro Dias As filiações do governador Jaime Lerner e do presidente da Assembléia Aníbal Khury no PFL provocaram uma dança entre os partidos políticos do Paraná. O troca-troca acabou na última sexta-feira, prazo fatal para os interessados em disputar as eleições do ano que vem fazerem suas opções. A Folha fez um levantamento parcial das principais lideranças, dentre elas secretários, prefeitos e secretários de Estado, que mudaram de partido para viabilizar suas candidaturas em 98.
Dos 54 deputados estaduais, 25 trocaram de sigla. O PDT e o PSDB que ocupavam respectivamente a primeira e a terceira maiores bancadas com 11 e nove na Assembléia foram os partidos que saíram prejudicados com a dança. Ambos têm hoje apenas dois deputados. Lerner foi o responsável direto pelas baixas. Desfiliou-se do PDT no dia 15 de agosto e arrastou nove parlamentares junto, que migraram parte para o PFL parte para o PTB.
O empenho do Palácio Iguaçu em esvaziar a sigla do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), que ora se coloca como pré-candidato ao governo, ora ao Senado, também agitou os partidos no Paraná. Cinco tucanos largaram o partido para dar apoio a Lerner. Diferente de Antonio Anibelli e Edson Silva Lino, que buscaram melhor acomodação.
O PFL saiu da quarta posição - tinha seis deputados - para a liderança absoluta no Legislativo, com 18 deputados. O PTB, que corria o risco de minguar pela resistência em se fechar aliança em torno da reeleição do governador, surpreendeu e engordou na última hora e acima do esperado. Hoje, o partido conta com 11 deputados estaduais, cinco a mais.
O PMDB perdeu um deputado, José Tavares, mas permanece em terceiro lugar com oito parlamentares. A sigla do senador Roberto Requião foi compensada com a assinatura de ficha de Anibelli, na última quarta-feira. A transferência de Tavares, filiado no PMDB há cerca de 25 anos, rumo ao PTB foi a que mais causou surpresa.
Cleiton Crisóstomo também arrancou indagações. No dia 15 de setembro anunciava ingresso no PPB e uma semana depois assinava ficha no PFL. Nem o deputado esperava pelo veto do PPB. O partido contabilizou o acréscimo de um deputado. E hoje é a quarta maior bancada na Assembléia.
A maioria das trocas partidárias ocorreu entre os aliados do governador Jaime Lerner. Assim como o PMDB, o PT foi um dos poucos partidos de oposição que registrou baixa. A sigla possui hoje quatro deputados. Emerson Nerone pulou para o desconhecido PSN e passa a ser o seu próprio líder, a exemplo de Horácio Rodrigues, o único deputado filiado ao PL.
Na Câmara Federal, apenas duas trocas ocorreram, o que não altera o jogo de forças entre a bancada paranaense no Congresso. Paulo Cordeiro saiu do PTB e assinou ficha no PFL. A filiação foi polêmica porque recebeu 394 pedidos de impugnação. Na última quinta-feira, a cúpula do PFL em Brasília deu sinal verde para o parlamentar. Fernando Ribas Carli largou o PDT para se filiar ao PPB. O ex-partido do governador Jaime Lerner não conta mais com nenhum representante em Brasília.


