O governador do Paraná Jaime Lerner (PFL) reafirmou ontem a FHC, em Brasília, seu apoio ao Plano Real. A declaração coincidiu com a troca de comando do Banco Central. Lerner garantiu a FHC dente respaldo integral da bancada paranaense. O secretário de Planejamento, Miguel Salomão, que comanda um plano de incentivo às exportações integrou a comitiva.
Na audiência, Lerner cobrou recursos para a capitalização da Paranaprevidência. O governador disse que só o Paraná teria R$ 3,2 bilhões a receber como compensação pela transformação de cerca de 50 mil cargos celetistas em estatutários. A assessoria de Lerner deu conta ontem que FHC manifestou entusiasmo com o modelo previdenciário do Paraná. ‘‘O presidente concordou com os argumentos do governador de que a instituição dos fundos pode solucionar a crise dos Estados’’, disse o Palácio Iguaçu.
O outro item da pauta com o presidente tratou da MP que autoriza o Incra a anular concessões de áreas feitas pelos Estados nas fronteiras, o que, segundo estudo da Faep, atinge cerca de 53 mil produtores rurais do Paraná. Lerner manifestou seu receio à MP. Disse ter medo que a aplicação da medida estimule uma onda de invasões de terras no Estado. Na nota divulgada pelo Palácio, Fernando Henrique pediu a Clóvis Carvalho, chefe do Gabinete Civil, uma discussão mais aprofundada do assunto, medida apoiada pelo ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, que conversou com o governador anteontem.
Lerner procurou ainda apoio dos senadores Álvaro Dias e Osmar Dias e do líder interino do governo no Congresso, deputado federal Luiz Carlos Hauly, todos do PSDB. A conversa com Hauly foi por volta das 8 horas. O líder do governo FHC disse ao governador que a regulamentação do artigo 201 da Constituição, que trata da compensação previdenciária aos Estados, ‘‘depende de uma articulação’’.
Lerner entregou aos dois uma cópia da lei que criou a Paranaprevidência. Ele pediu apoio aos tucanos, caso o governo federal decida compensar a perda previdenciária, com refinanciamentos de dinheiro do Bird liberado pelo Banco Mundial.
Somando-se ao governador Jaime Lerner, os senadores tucanos enviaram fax a Clóvis Carvalho pedindo a reedição da MP 1.797. ‘‘Essa medida é estapafúrdia que coloca em risco os produtores rurais’’, classificou Álvaro. Ele disse que se a MP voltar a ter sua renovação discutida no Senado pedirá para ele, ou para o irmão Osmar - o primeiro dar atenção ao alerta da Faep - a relatoria da matéria.DivulgaçãoDuas mãosLerner, Osmar e ministro da Defesa Élcio Álvares: apoio e pedidos ao governo federalLeandro Donatti

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