Arquivo FolhaÁlvaro: lembrado no discurso de Lerner como candidato oficial do grupoO governador Jaime Lerner (PFL) começou a incorporar no seu discurso de campanha o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) como candidato oficial de seu grupo ao Senado. A primeira manifestação ocorreu no último sábado, no final da cerimônia de inauguração do comitê pró-reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em Curitiba, quando Lerner sinalizou que a vitória de Álvaro nas urnas é importante para o projeto político do presidente Fernando Henrique no Paraná.
Ontem, logo após a posse da nova coordenadora do escritório político do governo do Estado em Brasília, Cida Borghetti, o governador ensaiou mais um discurso em defesa do ex-governador, que, em 1994, foi seu adversário político. ‘‘Todos os que estão na campanha do presidente são meus companheiros. O próprio fato de o PFL e de o PTB terem feito manifesto de apoio já diz tudo’’, disse o governador, ao ser questionado sobre se vai ou não pedir votos para Álvaro durante sua campanha.
Para Lerner, ‘‘a aliança PFL-PSDB já aconteceu’’, e deu a entender que as resistências tucanas são posições isoladas. Ele referiu-se à fórmula encontrada pelos marqueteiros do presidente Fernando Henrique para evitar o confronto entre tucanos e pefelistas, que emprestam apoio à reeleição presidencial, e que nos meios políticos do Paraná ficou conhecida por ‘‘acordo branco’’. A postura adotada por Álvaro em campanha - de neutralidade na disputa pelo governo do Estado - abriu espaço para o novo discurso do governador.
Coordenador da campanha do PSDB, o senador Osmar Dias disse ontem que Lerner está sendo orientado pelo seu staff a incluir o irmão como candidato do grupo. ‘‘Temos diversas pesquisas internas que mostram o Álvaro com mais de 60% dos votos. Se o Requião analisar e raciocionar, ele fará isso mesmo. O Lerner faz este discurso porque é bom para ele’’, assinalou o senador. Segundo ele, Lerner leva vantagem ao vincular sua campanha à do presidente, na mesma proporção que Requião perde ao afirmar que apóia Luiz Inácio Lula da Silva.
Na verdade, setores do PSDB ainda estão ressentidos com os desentendimentos políticos vividos entre tucanos e pefelistas e resistem ao ‘‘namoro’’ do governador, que já tem aval do coordenador geral da campanha do presidente, Euclides Scalco (sem partido), para colocar sua estratégia de vinculação entre PFL e PSDB em prática. ‘‘Não vamos participar dos eventos em Cascavel e Maringá. Nos reuniremos com o presidente nos aeroportos. É claro que se o Lerner estiver lá, não podemos tirá-lo a tapa, mas já avisamos que vamos ficar nos aeroportos’’, observou Osmar. FHC visitará Cascavel e Maringá no dia 28. (L.D)

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