Leandro Donatti
De Curitiba
Desde que assumiu pela primeira vez o Palácio Iguaçu, em 1º de janeiro de 95, o governador Jaime Lerner (PFL) ficou fora do País 240 dias, o equivalente a oito meses. Nos dois mandatos sucessivos, Lerner já fez 31 viagens ao exterior, tomando-se por base os pedidos de licença encaminhados pela Casa Civil à Assembléia Legislativa. Os afastamentos do governador correspondem a quase 15% dos seus 1.700 dias de mandato – períodos em que o Paraná fica sob a administração da vice-governadora Emília Belinati (PTB).
O governador já deu a volta ao mundo: África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Chile, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra (quando até foi atropelado por um taxista em Londres), Japão, México, Noruega, Polônia, Suíça, Ucrânia e Uruguai. A primeira carimbada de passaporte como chefe do Executivo foi em fevereiro de 95, um mês depois da posse. Lerner foi aos Estados Unidos para negociar empréstimos com bancos internacionais. O país é o refúgio predileto do governador. Em Nova York mora a sua filha Andréia. Somente neste ano, Lerner foi quatro vezes para a terra do Tio Sam.
Em 95, ele ficou 46 dias fora. Em 96, 52 dias. No ano seguinte, 97, mais 66 dias. Em 98, 28 dias. Até a semana passada, quando retornou da Alemanha, o passaporte do governador computava 47 dias no exterior em 1999. A duração média das viagens é de uma semana. As mais longas, no entanto, chegaram a 15 dias. A primeira, para a França, de 6 a 20 de fevereiro de 97. A segunda, para Johannesburgo (África do Sul) após a reeleição, de 7 a 22 de outubro de 98.
Lerner aproveitou o Carnaval de 97 para participar em Lyon (França) de um simpósio sobre investimentos no Brasil. Em território francês, avançaram ainda as negociações em torno da instalação da montadora Renault na Região Metropolitana de Curitiba. Na África do Sul, sua viagem acabou se tornando lazer. Lerner foi convidado pelo presidente Nelson Mandela para presidir um seminário de agricultura que, na última hora, foi cancelado.
Neste ano, a agenda do governador no exterior foi praticamente dedicada ao descanso, à exceção dos contatos feitos na semana passada com empresas alemãs para a ampliação da Ferrovia Ferroeste. Em junho, Lerner acompanhou o casamento da filha, em Nova York. O evento deslocou não apenas o governador, mas um terço dos secretários de Estado. A viagem durou 12 dias. Lerner aproveitou ainda a Páscoa e o 7 de setembro para dar nova escapada para relaxar nos EUA.
Nas viagens a trabalho, além da Renault, Lerner foi em busca de recursos para o Paraná. As negociações com organismos financeiros japoneses para a liberação de um empréstimo de US$ 300 milhões para saneamento, começaram na estada de Lerner no Japão, em meados de janeiro de 96.
Em setembro de 97, o destino foi a Suíça. O governador foi para a Lousanne com o então secretário do Esporte Osvaldo Magalhães dos Santos para pedir aval do Comitê Olímpico Internacional para os Jogos Mundiais da Natureza. Dois meses antes, Lerner embarcava para Nova York, dando o início do processo de privatização da Copel. O governo colocou as ações da Copel para vender na bolsa. Lerner foi acompanhar as negociações de perto.Desde 95, quando assumiu o governo pela primeira vez, governador passou 15% de seu mandato em viagens ao exterior
Arquivo FolhaMAIS TRILHOSLerner: ida recente à Alemanha foi para contatos com empresários para investimentos na ampliação da Ferrovia Ferroeste

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