Lerner intensifica viagens ao interior
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sábado, 25 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaEm açãoLerner: peregrinação pelo interior e média com os prefeitos A corrida pelo comando do Palácio Iguaçu, em 1998, já começou. Quatro nomes despontam como pré-candidatos ao governo: o governador Jaime Lerner (PFL), que trabalha pela reeleição, o senador Roberto Requião (PMDB), o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), e o ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PT).
Lerner é o único que entrou de cabeça na campanha. A permanência no cargo o favorece. O governador desembarcou da Europa semana passada decidido a emplacar sua recondução. Desde quarta-feira, está no interior do Estado inaugurando obras, o que pretende fazer até as eleições. Encerrou roteiro de cinco cidades: Manoel Ribas, Iretama, Pintanga, Castro e Tibagi.
O governador aproveita as cerimônias oficiais para fazer média com os prefeitos e lideranças políticas. Na última quarta-feira, por exemplo, montou palanque no encontro dos secretários municipais de obras para dizer que o processo de industrialização que diz ter promovido em todo o Estado lhe assegura a permanência no governo.
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O presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, se empolgou com a sondagem eleitoral feita pela Canadá Pesquisa em Londrina, que lhe conferiu primeiro lugar na disputa pelo governo. A não divulgação da pesquisa não foi empecilho. O staff do ex-governador se encarregou de vazá-la.
Álvaro é hoje um dos nomes que mais preocupa o governador. Goza de prestígio no governo federal e disputa com Lerner espaço político junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que é do seu partido. O anúncio do ministro Sérgio Motta, sobre a privatização do Sistema Telebrás, o prejudica. O ex-governador não descarta a possibilidade de concorrer ao Senado, uma vez que terá de deixar o cargo em dezembro. A presidência da estatal lhe garantiu mídia e popularidade, durante meses.
O senador Roberto Requião ainda não sabe ao certo se concorre ao Iguaçu ou ao Palácio do Planalto. Começa no início de novembro a percorrer o Brasil com os outros pré-candidatos a presidente Itamar Franco e José Sarney, em nome de uma candidatura própria do PMDB. Quer esgotar as chances no cenário nacional, antes de entregar-se ao processo sucessório estadual.
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Deu o start de campanha no programa eleitoral do PMDB que foi ao ar há cerca de 20 dias, em cadeia estadual. Requião criticou Lerner e o seu governo. O polêmico pronunciamento, que não poupou o Banestado, rendeu-lhe dois votos de repúdio: um da Assembléia Legislativa e outro da Câmara de Curitiba. Em Curitiba, Requião contabilizou uma derrota. A família do senador não conseguiu mais uma vez garantir o controle político das 10 zonais. Nem Requião, nem o irmão e deputado federal Maurício Requião elegeram-se delegado. O fato afastou o senador do partido em Curitiba, fazendo-o voltar-se mais para a disputa nacional.
O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida corre por fora e, nos bastidores, afirma que não faz questão de concorrer ao Palácio Iguaçu. Prefere uma candidatura certa à Assembléia Legislativa. Colocou na semana passada o seu nome como indicativo para a frente das esquerdas (leia-se PT-PC do B-PCB-PSB). Mas quer abri-la para o PMDB, PDT e PSDB.
Amanhã, fala com o ex-governador Álvaro Dias. A conversa pode ser o início de uma costura que resultaria numa frente única contra o governador Jaime Lerner. O ex-prefeito é o nome com melhor densidade no PT. Fez por volta de 100 mil votos nas eleições de 92, quando foi eleito em Londrina. Mas a simpatia que vem manifestando ao presidente da Telepar, adversário tradicional do PT, pode custar-lhe a perda de alguns apoios.


