O governador Jaime Lerner (PFL) promete visitar ‘‘16 municípios por semana’’ quando retornar de sua viagem à Polônia, iniciada ontem. Ele garantiu que pode percorrer o Estado ‘‘de cabeça erguida, por estar fazendo a transformação no Paranᒒ. As declarações, dadas à rádio CBN/Londrina, demonstram como deve ser o ritmo alucinado de sua campanha à reeleição. Elas foram feitas ontem de manhã, em Londrina, antes de embarcar para São Paulo para posterior ida ao exterior.
Lerner acabou dormindo em Londrina de domingo para segunda-feira porque o vôo de Foz do Iguaçu, que o levaria a São Paulo, não conseguiu chegar ao destino por causa do mau tempo. O avião, que decolou de Foz às 20 horas, com aterrissagem prevista para 21h30, enfrentou algumas turbulências. Ele embarcaria às 22h45 para a Polônia, mas precisou voltar e parou em Londrina. ‘‘Balançou bastante’’, admitiu. ‘‘Mas o que você pode fazer contra as forças da natureza?’’, emendou. O governador disse, no entanto, que ‘‘isso não é nada em relação às turbulências políticas’’.
Apesar das declarações, ele repetiu que as costuras políticas em torno de seu nome são ‘‘muito sólidas’’. ‘‘Se o governo fosse fraco, as lideranças não caminhariam ao meu lado. Aqueles que estão retardando e se amarrando para compor com o governo, ou fazem agora ou farão depois, porque nós não procuramos. Eles é que têm vindo’’, garantiu. Sobre a afirmação do presidente estadual do PDT, Nelton Friedrich, que gostaria de ter o prefeito de Londrina Antonio Belinati como candidato ao governo pelo PDT, Lerner disse que Belinati é um ‘‘adversário fortíssimo’’, mas não acredita na possibilidade porque ‘‘tanto ele como a Emília já disseram estar conosco’’.
O governador não poupou críticas aos adversários, sobretudo os dois últimos governadores. ‘‘O que eles fizeram pelo Estado? A velha politicagem de sempre’’, criticou. Para ele, Roberto Requião (PMDB) e Álvaro Dias (PSDB) só ‘‘perseguiram o grupo contrário a eles e não se preocuparam com as transformações econômica, de infra-estrutura e social’’. ‘‘Agora esse é um governo que se propôs a fazer uma transformação, e está fazendo’’.
Lerner disse estar ‘‘tão bem-humorado’’ que até pediu ‘‘permissão’’ para dizer que tem percorrido os municípios e ‘‘não há município que não tenha obra do governo’’. Ele não quis comentar, porém, o atraso no pagamento das empreiteiras responsáveis pelas obras, os cortes drásticos nas secretarias de Estado e se recusou a falar do repasse de verbas para reformas no Hospital Universitário. Insistiu em destacar ‘‘os 11 bilhões de dólares em investimentos’’ e prometeu ‘‘fazer uma boa acupuntura nas regiões’’.
Além dos ex-governadores, Lerner também criticou a marcha do Movimento Sem-Terra a Curitiba, que ontem chegou a Londrina. Para ele, o ato é uma ‘‘provocação, insensatez e demonstração de falta de maturidade do MST’’.
O governador comentou ainda o veto do Banco Central aos empréstimos solicitados pelo Paraná e tratou de dizer que o problema ‘‘está resolvido’’ com uma contestação feita pelo governo do Estado. ‘‘Tenho informação de que o Banco Central vai acatar essa informação’’, previu.

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