Lerner garante que não vai ceder aos aliados
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PDT) não está disposto a ceder às pressões do PFL e dos partidos aliados que estão condicionando o empenho parlamentar para a agilização dos empréstimos devolvidos pelo Senado ao Paraná à sua definição partidária. Não estou me sentindo pressionado e a defesa dos empréstimos não está amarrada a exigências partidárias, declarou ontem o governador, durante a assinatura de um acordo entre o governo do Estado e um banco alemão para a recuperação da mata Atlântica.
Estamos num momento de colheita, disse Lerner ao reforçar a tese de que não vai acelerar o processo de troca partidária por conta da invertida que o governo levou da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado), na semana passada. Segundo ele, a hora é de mostrar as obras e os programas que estão sendo executados no interior.
É só por isso que estou deixando a questão partidária de lado. É evidente que deve haver um momento de decisão, mas não estou criando pretextos para novas especulações em torno do meu futuro partidário, reforçou. Lerner entende que a devolução dos empréstimos serviu para tornar mais claro que existem dois bandidos em toda esta novela.
O governador referiu-se aos senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB). Ao contrário do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT) - o coordenador da caravana de empresários, políticos e sindicalistas que foi a Brasília e provocou a reação do Senado - Lerner não poupou o irmão do presidente da Telepar, o ex-governador Álvaro Dias. É o pequeno agricultor quem está sendo prejudicado com toda esta história, acusou.
O Palácio Iguaçu não soube informar quando será a reunião de Lerner com a bancada federal, para acertar a estratégia que vai retomar as discussões dos pedidos de empréstimos. O escritório do coordenador político do governo do Estado no Congresso, Abelardo Lupion (PFL), informou ontem que o deputado voltou para Brasília, sem a conversa preliminar com o governador. O que pode significar um esfriamento, até a semana que vem, do assunto. (L.D.)


