Lerner faz ‘maratona’
de olho na reeleição
Leandro Donatti

Arquivo Folha
Lerner em visita a obras de drenagem em Catanduvas no início do mêsO governador Jaime Lerner (PFL) participa de uma média de 30 solenidades ao dia durante suas viagens - de quinta a sábado - ao interior do Paraná. Lerner cumpre cronograma apertado de inaugurações de obras, estratégico no ano eleitoral e fundamental para seu projeto: a reeleição. A Justiça Eleitoral fixou 4 de julho, três meses antes da disputa, como prazo limite para a participação dos governadores-candidatos em eventos oficiais. O staff de campanha quer que a convenção do PFL fique para os últimos dias permitidos pela legislação, para Lerner manter-se em evidência.
Responsável pela agenda do governador, o secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelmann, diz que a legislação não deixa claro o que pode e o que não pode fazer um candidato que mantém-se no poder. ‘‘Descobrimos por exemplo que o governador terá de viajar na maioria das vezes com avião de campanha, e nestas viagens aproveitar para tomar medidas administrativas. O que não pode, no entanto, é fazer comícios, sendo transportado por aeronaves oficiais’’, pondera. Gerson Guelmann defende ainda a ampliação da agenda de viagens e a menor permanência possível de Lerner no Palácio Iguaçu.
Ele quer intensificar a ‘romaria’ do governador principalmente na região metropolitana de Curitiba e acabar com os tradicionais atrasos de Lerner nas cerimônias. ‘‘São pouco mais de um milhão de votos. Não podemos descuidar’’, avalia o secretário referindo-se aos colégios eleitorais vizinhos e que sempre fizeram parte da base do grupo de Lerner. A prefeitura de Curitiba também tem um papel importante na divulgação do nome do governador na região. Há um esforço concentrado para se compatibilizar as agendas de Lerner e do prefeito Cassio Taniguchi nas solenidades.
Gerson Guelmann avalia que não dará tempo para o governador inaugurar todas as obras previstas até o limite fixado pela legislação. ‘‘Os secretários farão esta tarefa’’, adianta. Levantamento feito pela Secretaria de Obras em fevereiro deste ano revelou que o governo dispunha de 1.100 obras para inaugurar, 30 delas de grande porte. A primeira, que abriu a campanha pela reeleição, foi a da ponte de Guaíra, ligando o Paraná ao Mato Grosso. Os dois maiores investimentos feitos pelo governo não surtirão efeitos durante a campanha. A ponte de Porto Camargo e a Usina de Salto Caxias só ficarão prontas no final do ano, de acordo com previsões oficiais.

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