Lerner faz balanço e é vaiado
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quinta-feira, 02 de janeiro de 2003
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Durante a transmissão do cargo, o governador Jaime Lerner (PFL) discursou em tom de despedida da vida política. Agradeceu a equipe que trabalhou com ele durante os últimos 30 anos e anunciou que agora retoma o seu ofício, a atividade de arquiteto e planejador urbano.
Foi um discurso rápido, mas nem assim o ex-governador ficou livre das vaias. Boa parte da sua fala foi destinada a ressaltar as vantagens da industrialização ocorrida no Estado nos últimos oito anos. A mesma industrialização que, minutos antes, na Assembléia Legislativa, o governador que tomava posse, Roberto Requião (PMDB), criticava duramente.
As vaias vieram quando Lerner falou da situação financeira do Estado. ''O Paraná tem suas contas em perfeito equilíbrio, em situação bastante privilegiada em relação à média nacional'', argumentou.
Finalizando, Lerner dirigiu-se diretamente a Requião e lembrou que há 30 anos eles são adversários políticos. ''Não seria agora que iríamos concordar'', destacou, rindo. E em seguida citou o escritor Mário Quintana. ''Conosco acontece como no diálogo de Mário Quintana, em que um propõe a outro uma troca de idéias e a resposta é: Deus me Livre.'' E continuou dizendo que em um aspecto os dois concordam: naquilo que é essencial ao futuro do Paraná, que é promover o avanço e a solidariedade. O ex-governador desejou ainda uma gestão feliz a Requião.
O último discurso de Lerner foi encerrado com um agradecimento especial ''ao bom povo do Paraná'', à sua família e à sua esposa, Fani Lerner.
Em entrevistas anteriores ao seu último dia à frente do governo do Estado, Lerner informou que vai se dedicar à presidência da União Internacional dos Arquitetos. Continuará morando em Curitiba, mas pelo compromisso que assumirá, terá que viajar bastante.
Ele tem dito também que descobriu que não é preciso ter um mandato para contribuir com o seu Estado. ''Não abro mão de continuar interferindo na vida política do meu Estado'', assegurou.
Lerner considerou que o maior legado do seu governo foi a independência do Estado, conseguida graças à industrialização. Embora os eleitores avaliem o seu governo apenas com uma nota 5,1, Lerner deu ao seu governo uma nota 9. ''Não dou 10 porque sou modesto.''


