DivulgaçãoPingos nos isKhury, Lerner e Emília: encontro, promovido pelo primeiro, serviu para esfriar a guerra palacianaO governador Jaime Lerner (PDT) e a vice-governadora Emília Belinati (PDT) reuniram-se ontem na Assembléia Legislativa para aparar arestas e evitar um possível rompimento político entre os dois durante o processo eleitoral do ano que vem. O encontro, que durou quase uma hora, foi provocado pelo presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (sem partido), e pelo prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT).
Segundo Khury, Lerner deixou à vontade a vice para escolher o cargo a que pretende disputar em 98. ‘‘O governador disse que ela (Emília Belinati) poderá ser candidata a vice, novamente, ou ao Senado Federal. A decisão ficará à sua escolha’’, informa o presidente da Assembléia, que por tabela se beneficiaria com o afastamento da vice. Vigorando a lei da desincompatibilização, Emília tem de deixar o governo, assim como Lerner, em abril, ficando Khury na linha de sucessão.
A conversa de Lerner e Emília foi, na avaliação do presidente da Assembléia, ‘‘uma reunificação das forças lerneristas’’. ‘‘O Jaime (Lerner) disse que a vice sempre tem agido com muita ética nos períodos em que assumiu o governo durante a sua ausência. Prova de que está empenhado para que não haja uma quebra no grupo’’, reforça Khury.
A volta à ‘lua de mel’ entre Lerner e Emília poderá provocar desconforto entre os aliados. O oferecimento da vaga de vice ou do Senado a Emília inviabiliza os planos políticos do chefe da Casa Civil, Rafael Greca, que se coloca como pré-candidato do grupo ao Senado. A disposição do ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, em concorrer à vaga pelo PFL também torna-se um agravante.
A leitura que se faz nos meios políticos é de que o ‘acordo de paz’ já deveria ter ocorrido antes, quando o marido da vice, o prefeito de Londrina Antonio Belinati, já alertava sobre a possibilidade de Emília permanecer no Palácio Iguaçu, de forma independente, logo após a desincompatibilização do governador. Lerner só teria tomado a atitude depois de percebido a gravidade no ‘azedamento’ das relações com a família Belinati.
Na última interinidade, quando o governador viajava aos Estados Unidos, a vice deixou claro que não vai mais aceitar insubordinações da equipe de governo e nem que se façam conspirações contra ela. O recado atingia ainda aqueles que, segundo a vice, estariam interessados na sua desestabilização com vistas às eleições do ano que vem.

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