Lerner evita comentar crise de Londrina
Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) evitou ontem fazer qualquer avaliação sobre as denúncias de desvio de recursos públicos na administração municipal de Londrina que estão sendo investigadas pela Promotoria Pública. A postura do governador nos últimos dias tem sido de evitar declarações sobre temas pouco palatáveis e polêmicos que têm relação direta ou indireta com seu governo.
Ontem, na solenidade de posse do novo procurador geral da Justiça, Marco Antonio Teixeira, em Curitiba, Lerner foi bastante econômico também ao tratar dos ataques proferidos pelo ex-delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Képes Noronha em entrevista à Folha de São Paulo e das CPIs laranjas criadas pela Assembléia para diluir o discurso da oposição em torno de investigações sobre o narcotráfico e o crime organizado no Paraná. O governador optou por minguadas declarações. A estratégia é evitar ao máximo situações que possam evidenciar desgaste político.
Acho que seria prematuro fazer qualquer tipo de comentário sobre isso, tangenciou o governador, quando questionado pelos jornalistas sobre as suspeitas de desvio de recursos públicos da Prefeitura de Londrina para a campanha eleitoral de 1998. Lerner disse que o assunto está afeto ao Ministério Público e que ele, como governador, prefere não se manifestar.
A cautela de Lerner se justifica. A vice-governadora Emília Belinati (PTB) é mulher do prefeito de Londrina, Antonio Belinati, que é do PFL, o mesmo partido do governador. O silêncio de Lerner sobre a crise política instaurada em Londrina não é de agora. Desde que as denúncias do escândalo AMA-Comurb começaram a pipocar, há aproximadamente um ano, o governador nunca se pronunciou, até por respeito a sua vice.
Lerner também não quis conversa quando o tema suscitado pelos jornalistas foi a declaração de Noronha, à Folha de São Paulo. O ex-delegado geral, foragido e com prisão temporária decretada pela Justiça a pedido da CPI do Narcotráfico, chamou o governador de frouxo e deu conta da existência de uma suposta conspiração dentro do próprio governo. É um assunto da área de Segurança. Eu designei uma comissão especial (de sindicância) de altíssimo nível que, na semana que vem, vai me entregar um relatório conclusivo, declarou ele.
O governador repassou a responsabilidade em comentar o tema ao secretário da Segurança, José Tavares. O secretário disse que as declarações de Noronha fazem parte de uma estratégia de defesa. Foi uma entrevista pensada e programada, com o objetivo de causar celeuma, argumentou o secretário da Segurança.
Sobre as polêmicas CPIs laranjas criadas na semana passada pelos deputados que lhe dão sustentação na Assembléia Legislativa, o governador Jaime Lerner resumiu a sua avaliação em duas frases.
Eu respeito o Poder Legislativo. Se eles (os deputados aliados) tiveram essa sensibilidade (de investigar vários temas ao mesmo tempo), eu acho positivo. As declarações de Lerner são sinal de que o governador quer ficar bem longe das confusões que as CPIs ainda vão provocar em plenário. Na semana que vem, expira o prazo para as bancadas indicarem seus representantes.Alegando que assunto está no Ministério Público, governador foi econômico nas declarações envolvendo o caso AMA-Comurb
Kraw PenasCUIDADOSOJaime Lerner e o novo procurador Marco Antonio Teixeira, durante solenidade de posse, em Curitiba: Acho prematuro fazer qualquer tipo de comentário





