Lerner estuda nova reforma
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segunda-feira, 26 de março de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) vai promover uma reforma com o objetivo de enxugar a máquina administrativa. O Palácio Iguaçu não confirma oficialmente a medida, que deve extinguir cinco das 22 secretarias de Estado e reduzir núcleos no interior e cargos em comissão. Entretanto, fontes ligadas ao governador afirmam que a mudança será anunciada ainda esta semana e é uma resposta a reivindicações dos deputados da base aliada, que estão fazendo uma série de cobranças para recomporem o bloco de sustentação na Assembléia Legislativa entre elas, recursos aos municípios que representam.
O corte de pastas serve também para contenção de despesas. Apesar de o secretário da Fazenda, Ingo Hubert, negar que o Estado tenha problemas financeiros, o secretário chefe da Casa Civil e o líder do governo, Durval Amaral (PFL) já admitiram problemas de caixa. A secretaria de Fazenda admite a existência de uma dívida de R$ 7,5 bilhões.
O governo ainda não teria definido quais seriam as secretarias extintas nem a estimativa de economia com o enxugamento. Além de acabar com algumas pastas, o governador deve se reunir com os prefeitos aliados para anunciar também um plano na área social.
Lerner passou o final de semana reunido com deputados aliados, no Chapéu Pensador, na tentativa de recuperar apoio político.
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), participou das negociações e disse claramente que o governo precisa enxugar a máquina se quiser garantir governabilidade. Mas o deputado acrescentou que isso deve ser feito como uma resposta à população, e não aos deputados. Os paranaenses esperam austeridade, ressaltou.
Na avaliação de Brandão, o saldo da reunião que contou com a presença de 25 deputados não foi dos mais positivos. Ele disse que o governador ainda não conseguiu recompor a base de sustentação. Brandão afirmou que o governo sinalizou com liberação de recursos depois da venda da Copel.
Extra-oficialmente, a informação é que o governo espera contabilizar o apoio de 32 deputados. Em tese, a base aliada soma 40. Ontem à noite, o governador reuniu-se novamente com os deputados, no Palácio Iguaçu.
Segundo Brandão, a reforma administrativa é imprescindível. Hoje o Estado arca com 80 mil inativos, do total de 205 mil servidores. Em quatro ou cinco anos, serão cerca de 130 mil. Os cofres do Estado não vão suportar, afirmou. Nos bastidores, a informação é que a saúde das finanças do Estado pode piorar muito nos próximos três meses, podendo comprometer o pagamento da folha de servidores.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), disse que o Palácio Iguaçu não vai mais tolerar hipocrisia por parte dos aliados. Não dá mais para aturar quem se diz da situação e faz discurso de oposição. Todos têm que ficar com o ônus e o bônus de ser governo. Vamos cobrar posição.
Em novembro do ano passado, o governador mexeu no primeiro escalão. A mudança mais significativa foi o afastamento do então secretário de Fazenda, Giovani Gionédis, que foi substituído por Ingo Hubert.


