Lerner estuda intervenção na Polícia
CRIME ORGANIZADO Lerner estuda intervenção na Polícia Proposta partiu de um grupo de aliados do governo que sugere também substituição do atual delegado-geral Leandro Donatti De Curitiba O governador Jaime Lerner (PFL) estuda a possibilidade de intervenção na Polícia Civil do Paraná. A proposta lhe foi apresentada reservadamente por um grupo de aliados na quarta-feira, em seu gabinete. O grupo defendeu também que o novo delegado-geral não pertença aos quadros da Polícia. A proposta tem o objetivo de mostrar à opinião pública que Lerner está disposto a colocar a casa em ordem e fazer a faxina geral tão prometida, até que se assente a poeira levantada pelas graves denúncias feitas pela CPI do Narcotráfico, envolvendo policiais civis do Estado. O novo delegado-geral que assumiria no lugar de Marco Antonio Lagana, designado para preencher o vácuo deixado com a exoneração de João Ricardo Képes Noronha viria do Ministério Público, ou de qualquer outra entidade civil organizada. Lerner pediu tempo para dar uma resposta. O governador teme reação interna na corporação e questionamentos judiciais. O Estatuto da Polícia Civil diz que o delegado-geral tem de ser de carreira. A intervenção também é uma fórmula política para esvaziar os poderes do secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, mantido pelo governador apesar ter sido colocado sob suspeita por testemunhas ouvidas pela CPI, durante passagem de três dias pelo Estado, no início deste mês. O grupo que defende intervenção na Polícia, junto a Lerner, considera insustentável a permanência do secretário no comando da pasta e quer do governador uma postura mais firme, diante da gravidade das acusações feitas à CPI. Um dos motivos para a apreensão tem relação direta com Cândido Martins. Repousa sobre a mesa do presidente da CPI do Narcotráfico, Magno Malta (PTB-ES), requerimento do sub-relator Pompeo de Mattos (PDT-RS) convocando o secretário do Paraná para prestar depoimento em Brasília. Um interventor, vindo do Ministério Público, por exemplo, daria maior respeitabilidade ao governo, na avaliação dos aliados pró-intervenção. Marco Antonio Lagana está provisoriamente no cargo desde a exoneração de Noronha no dia 2 de março e poucas condições lhe foram dadas para promover a limpeza. O grupo dos aliados que querem dar um freio em Cândido Martins, entretanto, manifestou flexibilidade ao apresentar a proposta ao governador. O novo delegado geral pode vir da própria Polícia Civil, porém, não deverá estar atrelado ao secretário da Segurança e precisa ter pulso firme para tomar decisões, defendeu um governista que participou da conversa com Lerner, anteontem. O ideal seria alguém do Ministério Público, ressaltou a fonte. Lerner comprometeu-se a dar resposta ainda hoje, depois de retornar da viagem de Brasília feita ontem, e de fazer uma análise das implicações que o descumprimento de dispositivos do Estatuto da Polícia Civil. Na conversa reservada, o governador teria reinterado novamente uma posição que já é pública: não afasta Cândido Martins porque é contra qualquer tipo de prejulgamento. Sobre a idéia de intervenção, Lerner teria manifestado ao grupo presente uma ponta de empolgação.





