O candidato do PMDB ao governo do Estado, senador Roberto Requião, classificou de ‘‘safada e eleitoreira’’ a medida anunciada ontem pelo governador Jaime Lerner (PFL) de reduzir a tarifa do pedágio em 50%, em média, a partir de segunda-feira. ‘‘Instituir a cobrança foi uma medida criminosa, como já alertávamos. A redução é safada e demonstra que o governador não está com medo e sim em pânico por causa das eleições’’, disse o senador.
Segundo ele, o corte provou que o pedágio é ‘‘roubo’’. ‘‘Revelou-se um crime a cobrança em dobro’’, argumentou Requião, que pretende acionar Lerner civil e eleitoralmente por considerar que o governador cometeu crime administrativo e eleitoral.
Arquivo FolhaEm exercícioLenz César, que assume o governo interinamente pela segunda vezRequião disse ainda que a redução na tarifa demonstrou que o cálculo para a cobrança do pedágio não é sério e o contrato com as concessionárias é vulnerável. ‘‘O contrato não foi um ato jurídico perfeito, que o governador pode mexer’’.
Para o senador, ‘‘tudo isso é malandragem’’. ‘‘Quem é que vai devolver o dinheiro cobrado até agora?, questionou. Requião prometeu cortar a outra metade da tarifa do pedágio no dia 1º de janeiro do ano que vem, quando pretende assumir o governo. ‘‘E vou dizer aos empreiteiros que o que eles arrecadaram até agora já serviu para pagar a roçada de mato e a pintura que eles fizeram nas rodovias’’.
Para o senador Osmar Dias (PSDB), coordenador da campanha de Álvaro Dias ao Senado, a redução da tarifa do pedágio é ‘‘no mínimo suspeita em época de eleição’’. ‘‘Na nossa argumentação, o pedágio não deveria existir. Ele é injusto porque a sociedade já pagou pela construção das rodovias’’, disse Osmar. Ele acredita, porém, que o governo reconheceu que o preço cobrado era caro. ‘‘Cinquenta por cento é melhor que cem, mas reafirmamos que seria justo se não existisse a cobrança’’.
Em Curitiba, onde anunciou a redução da tarifa, Lerner quis desvincular sua decisão da reeleição. ‘‘O povo do Paraná me conhece há 30 anos. Se eu estivesse interessado em votos, nem teria começado com o pedágio’’, disse. Em entrevista exclusiva à Folha, publicada na segunda-feira, Lerner havia adiantado sua intenção de diminuir a tarifa, argumentando que ‘‘o povo não questiona mais o pedágio, questiona o preço’’.
Apesar da diminuição dos valores, os adversários políticos usarão a cobrança como uma ‘peça-chave’ na campanha. Antes mesmo do início do horário eleitoral gratuito, no dia 18 de agosto, o assunto tem dominado entrevistas e declarações dos candidatos.

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