Lerner entra na Justiça contra PMDB
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terça-feira, 07 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaDefesaGreca: O senador do contra não tem consciência que essa boataria pode derrubar o Banestado O governo do Estado vai entrar na Justiça contra o programa do PMDB levado ao ar em cadeia estadual de rádio e tevê na noite da última segunda-feira e que acabou se transformando num palanque para o senador Roberto Requião criticar a administração do governador Jaime Lerner (PFL). O diretor da Secretaria de Governo, ex-procurador de Curitiba Cid Câmpelo, encaminhou ontem um comunicado (que não tem força judicial) para as emissoras que transmitiram o pronunciamento pedindo direito de resposta.
Campelo promete para hoje o ajuizamento de representação junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília, para suspender o direito do PMDB de exibir programa eleitoral no segundo semestre do ano que vem, ano eleitoral. O partido já tem o seu programa de primeiro semestre cancelado, porque o partido, no entendimento da Justiça, usou indevidamente o horário durante a campanha de Max Rosenmann, hoje no PSDB, na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 96.
Ação judicial pedindo, com base na Lei de Imprensa, mesmo espaço (20 minutos) para Lerner defender-se das acusações feitas pelo senador e outra paralela, que tenta enquadrar Requião no crime do colarinho branco, também estão sendo estudadas pela equipe jurídica do governador, que só volta da Europa no próximo dia 19. O governo alega que merece uma indenização porque Requião tentou desestabilizar o sistema financeiro do Paraná ao acusar o governo Lerner de ser corrupto e quebrar o Banestado.
Na avaliação do chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), essa foi a única acusação contundente feita durante o pronunciamento do senador Requião. O resto foi insuficiente e sem qualquer argumentação. O senador do contra não tem consciência que essa boataria pode derrubar um banco sério como o Banestado, que no último semestre registrou um lucro de R$ 8 milhões. Dizer o que ele disse do Banestado é o mesmo que uma moça passar pela esquina e dizermos que não passa de uma vagabunda, comparou.
A estratégia de encaminhar comunicados para as emissoras de rádio e tevê, exigindo direito de resposta, adotada pelo governo, é a mesma que os senadores Roberto Requião e Osmar Dias (PSDB) utilizaram quando Lerner foi às telas acusá-los pelo bloqueio dos empréstimos externos do Paraná no Senado Federal. A negativa das emissoras serve como meio para se garantir outro direito via judicial.
Greca disse que, ao contrário do que afirmou Requião, o governo não adota uma política de perseguição às pequenas e médias empresas, que, segundo senador, das quais 1.666 fecharam no ano passado. Abrimos durante esse período 105 mil novos estabelecimentos, incluindo a Chrysler, a Audi e as fiações de Prudentópolis, contabilizou o secretário.
O comprometimento da folha de pagamento, que hoje chega a 78% das receitas conforme dados fornecidos pela própria Secretaria da Fazenda, não passa, para Greca, de uma herança sinistra deixada por Requião. Em 92, ele transformou 50.948 celetistas (ligados à CLT) em estatutários, sem analisar o passivo previdenciário que isso poderia provocar. Nos últimos três anos, pagamos por conta disso R$ 5,5 bilhões, calcula o ex-prefeito de Curitiba.


