O governador Jaime Lerner teve de ‘engolir’ a indicação do ex-governador João Elísio Ferraz de Campos para a presidência do PFL do Paraná. O nome do ex-governador, articulado pelo presidente da Assembléia, Aníbal Khury, deve ser confirmado na convenção do próximo sábado, dia 10, em Curitiba. Dois motivos levaram o governador à decisão: o sonho de concorrer à presidência da República na eleição de 2002, e a disposição política em conter o racha instalado no partido, depois rasteira no deputado federal Abelardo Lupion, que queria ser presidente.
No primeiro dia como governador, depois da viagem de dez dias à Europa, Lerner dividiu-se em inteirar-se sobre os desdobramentos da briga em seu partido e da epidemia de cólera no litoral. Depois de percorrer Paranaguá, o governador recebeu, no início da noite, a visita de João Elísio, no Palácio Iguaçu. O ex-governador foi acompanhado de seu padrinho, Aníbal Khury. Lerner falou reservadamente com João Elísio em seu gabinete. Khury adiantou o teor da conversa, no início da tarde. ‘‘O João Elísio representa a unificação do PFL e terá papel importante no Projeto Paraná, de lançar Lerner à sucessão de Fernando Henrique.’’
Segundo o presidente da Assembléia, o trânsito em Brasília conquistado por João Elísio - que vai acumular o comando do PFL com a presidência da Federação Nacional de Seguros (Fanaseg) - é fundamental para o projeto político de Lerner. ‘‘Existe uma orientação nacional de que o PFL tenha candidatos. O (Jorge) Bornhausen cita o ACM, o vice-presidente Marco Maciel e o Lerner como candidatos’’, assinalou Khury. ‘‘Os três estão em igualdade de posição: o ACM na Bahia, o Maciel em Pernambuco e o Lerner no Paraná. O João Elísio ajudará nesse meio de campo, consolidando o caminho do nosso governador.’’
De acordo com o relato de Khury, que reuniu-se pela manhã com Lerner, para uma negociação preliminar, o governador chegou a conclusão que a indicação do ex-governador João Elísio tornou-se o caminho mais acertado. ‘‘A presença do Lupion nas reuniões são impositivas e o Jaime (Lerner) não gosta disso’’, avaliou Khury, tentando explicar o porquê do veto ao deputado federal. Khury disse ainda que Lerner aceita Lupion como vice-presidente do PFL e garantiu que a decisão do governador, de aceitar a indicação de João Elísio, põe fim de vez às pendengas internas. ‘‘A executiva deverá ser votada no mesmo dia da convenção, depois da escolha dos nomes para o diretório’’, apostou Khury.
Os deputados do PFL não foram chamados para a reunião, o que provocou o descontentamento de alguns. Nelson Garcia reclamou do tratamento dispensado pelo governador. ‘‘O PFL já foi bom, quando era pequeno e bem controladinho. Agora virou nisso...’’, queixou-se. O deputado disse se sentir excluído. ‘‘Temos votos nos diretórios do interior, mas na hora de definir não decidimos nada’’, protestou. Assim como Garcia, um grupo de pefelistas manifestava ontem - só que veladamente - o ressentimento.

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