Na sua primeira visita ao interior do Estado, após a derrubada do projeto popular que visava impedir a privatização da Copel, o governador Jaime Lerner (PFL) e sua comitiva foram hostilizados por manifestantes, no início da tarde de ontem em Arapongas. Um grupo de cerca de 150 pessoas participou do ato, em frente à prefeitura, portando faixas e gritando frases de protesto. Eles entraram em confronto com aproximadamente 90 PMs, que usaram bombas de gás de efeito moral e projéteis de borracha. Seis pessoas (quatro manifestantes e dois policiais) ficaram feridas. Um vereador e um sem-terra foram presos.

Lerner foi a Arapongas para firmar convênios e liberar R$ 4,5 milhões em recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU). No início da cerimônia, um único estudante insistia em xingar o governador. Com o aumento do número de estudantes engrossando o protesto, 60 homens do 15º Batalhão da Polícia Militar (de Rolândia) foram posicionados entre os manifestantes e o prédio da prefeitura.

Uma hora depois, quando Lerner estava reunido com 35 prefeitos, chegou ao local mais um grupo, formado por estudantes, representantes dos sindicatos dos professores e dos bancários, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de partidos de oposição. A maior parte deles vinha de ônibus do Assentamento da Fazenda São Carlos, mas o veículo havia sido barrado pela PM no trecho urbano da BR-369. Um carro de som do Sindicato dos Bancários de Apucarana e região também foi interceptado pela PM. Todos os manifestantes seguiram a pé da barreira até a prédio da prefeitura. Cerca de 30 soldados da Tropa de Choque do 5º BPM (Londrina) foram chamados para reforçar a segurança.

Apesar do forte aparato de segurança, os manifestantes conseguiram se aproximar de Lerner e atirar pedras e ovos contra seu veículo. O ataque ocorreu quando o governador saía pelos fundos do prédio, justamente para evitar os manifestantes. Eles perceberam a manobra e chegaram atirando ovos e pedras, no momento em que Lerner já estava no interior do veículo.

A situação fugiu ao controle e o confronto foi inevitável. Manifestantes voltaram a atirar ovos e até pedaços de tijolos em autoridades, em frente ao Clube Comercial, onde seria servido um almoço. A partir da reação de seguranças (vestidos à paisana), houve um tumulto generalizado.

O clima ficou mais tenso com a intervenção dos soldados da tropa de choque, que dispersaram os manifestantes com bombas de efeito moral e disparos de projéteis de borracha. Em meio ao tumulto, Lerner desistiu de participar do almoço, seguindo direto para o aeroporto local, de onde embarcou para Curitiba. Ele foi escoltados por PMs.

Das pessoas feridas, o caso mais grave foi do estudante Antônio Rozzi, de 21 anos, atingido no rosto por estilhaços de uma bomba de gás. Ele foi socorrido no Pronto Atendimento Médico, com diagnóstico de trauma no olho direito. O bancário Hermes Gonçalves foi atingido por uma bomba de gás na cabeça e, no hospital, recebeu cinco pontos. Dois estudantes não identificados sofreram ferimentos nos braços e pernas.

O comandante do 15º BPM, tenente-coronel Elói Antônio dos Reis, confirmou que dois policiais foram encaminhados para atendimento num hospital da cidade, com hematomas e cortes na cabeça. Segundo ele, os PMs foram atingidos por pedras.

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