Arquivo FolhaVolta à casaJaime Lerner: troca partidária era aguardada desde o início do anoO governador Jaime Lerner confirmou ontem a sua filiação ao PFL. Ele assina ficha no partido do senador Antonio Carlos Magalhães na próxima terça-feira, às 11 horas, na sede do diretório regional do PFL, em Curitiba. O anúncio foi feito de surpresa pelo próprio governador, pela manhã, logo após a assinatura de um convênio do Provopar, para entrega de 30 kombis a prefeituras, no Palácio Iguaçu.
O vice-presidente da República, Marco Maciel, já confirmou a vinda para a festa de assinatura de ficha do governador. O presidente estadual do PFL, José Carlos Gomes Carvalho, passou o dia ontem em Brasília acertando os detalhes da filiação. ACM e o articulador político do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Congresso, Luis Eduardo Magalhães, ainda não definiram se vêm ou não.
A surpresa da confirmação de Lerner gerou perplexidade entre o grupo de jornalistas que abordou o governador. Depois de um ‘‘sim, eu vou para o PFL’’, os repórteres não perguntaram mais nada. Quando a notícia se espalhou, Lerner se recusou a dar nova entrevista para detalhar sua decisão, que se arrasta desde o início do ano. O secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelmann, disse que a opção pelo PFL ‘‘foi resultado de um processo de maturação’’. ‘‘Ele (Lerner) sempre teve a preocupação com a governabilidade. Tanto é verdade que só descartou a permanência no PDT depois que o ex-governador Leonel Brizola partiu para o ataque’’, definiu.
O presidente do PFL do Paraná se reúne hoje com o governador para fazer um levantamento dos políticos aliados que o acompanham para o PFL. Um deles é o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, que leva consigo todo o secretariado que era filiado ao PDT. Outro é o chefe da Casa Civil de Lerner, ex-prefeito Rafael Greca, que tem pretensões de concorrer ao Senado. O primeiro a consumar a mudança foi o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (ex-PTB), que assinou ficha há 15 dias.
A vice-governadora Emília Belinati (sem partido) ainda não definiu qual o caminho partidário que deverá seguir. Só discute a questão a partir de segunda-feira que vem. Emília guarda luto pela morte da mãe. O vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio, quer que um grupo de deputados sigam a decisão da vice, que tem o PFL, PSB, PTB, PPS, PST e PPB como opções partidárias. Túlio faz força para que a vice vá para o PTB, junto com os deputados Valdir Rossoni, Joel Coimbra e Milton Puppio.
Três deputados do PDT estão com a filiação dada como certa: Valmor Trentini, Nelson Tureck e Edno Guimarães. O tucano Beto Richa vem sendo ‘namorado’ e pode ser o 17º deputado da bancada pefelista.
Nove vereadores de Curitiba devem aguardar ainda uma consulta feita ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para tomar posição. A procuradora regional eleitoral, Denise Vince Túlio, vai dizer se o estatuto do PDT tem validade ou não. Diz o estatuto que os vereadores são obrigados a respeitar a fidelidade partidária, sob pena de perder o mandato. Eles assinaram termo de compromisso em fevereiro deste ano. O presidente da Câmara, João Claudio Derosso, é um dos vereadores que aguarda manifestação do TRE para definir para que sigla vai.

mockup