Lerner e Serra evitam falar sobre sucessão
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O ministro da Saúde, José Serra (PSDB), e o governador Jaime Lerner (PFL) preferiram usar meias palavras ontem, ao tratar do sonho que alimentam: a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 2002. Durante a inauguração do Biobanco do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, os dois trataram de mudar de assunto imediatamente.
Questionado sobre uma possível composição com o ministro, Lerner riu e disse que ainda é cedo para tratar do assunto, discurso que sempre usa, apesar de todos os esforços do Palácio Iguaçu para viabilizar seu nome como candidato do PFL. Ainda se referindo a uma possível dobradinha, Lerner disse que Serra é um grande ministro.
O ministro foi mais evasivo e afirmou que sua visita não teve caráter político. Vim para falar de saúde e não de política. Mas deixou o HC rumo ao encontro de prefeitos organizado pelo PSDB. Ao ser questionado sobre sua participação numa reunião de caráter político, ele repetiu que não veio a Curitiba para falar de política.
O nome de Serra não foi lançado durante o encontro, mas ele teve uma recepção calorosa. O ministro acabou falando sobre os programas do Ministério da Saúde e não comentou sua candidatura. Ele já foi lançado pelo presidente estadual do PSDB, senador Alvaro Dias, em outra oportunidade, durante um evento no interior do Estado.
Em tese, Serra está em situação política mais confortável. Lerner enfrenta desgaste devido à situação financeira do Estado, agravada com a crise no setor automotivo desencadeada pelas demissões na Audi e suspensão de produção na Chrysler. A cassação do ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati (ex-PFL e atualmente sem partido), marido da vice-governadora Emília Belinati, em 2000, conspurcou a imagem do PFL.
O pálido marketing em torno do governo Lerner, no cenário nacional, ainda não conseguiu tirá-lo da condição de candidato a candidato. A definição depende de decisão da cúpula do partido. Já Serra é considerado um nome mais palatável dentro do PSDB. (Leia mais sobre a visita do ministro na Folha Cidades)


