Lerner e Scarpelini trocam ofensas
Governador chama de ‘desastre’ a administração do prefeito de Apucarana e recebe o troco pelo rádio
Maurício Borges
Cumprindo o que havia prometido, o prefeito Carlos Scarpelini (PPB) não recepcionou o governador Jaime Lerner (PFL) nos dois dias que ele permaneceu em Apucarana. E ontem, durante entrevista coletiva concedida à imprensa no Hotel Doral, o governador falou sobre o assunto, qualificando de ‘‘desastre’’ a administração de Scarpelini que, segundo ele, nunca esteve no Palácio Iguaçu ou secretarias para apresentar projetos em favor de Apucarana.
Segundo Lerner, ele tem tido a satisfação de ser muito bem recepcionado em todas regiões do Estado, ‘‘até por opositores e, infelizmente, não foi assim em Apucarana’’. Ele lamentou a atitude de Scarpelini e negou que esteja discriminando o município. ‘‘Entregamos a ampliação da Ciretran ontem e hoje vamos inaugurar a 3ª Vila Rural em Apucarana’’, lembrou Lerner, acrescentando que já concluiu 11 empreendimentos de seu governo no município.
As palavras do governador foram respondidas em seguida por Carlos Scarpelini, através das rádios Nova AM e Cultura. Ele revelou que recebeu um convite remetido via fax, poucas horas antes do início da visita do governador e comitiva, para que acompanhasse Lerner em sua visita à cidade. O prefeito havia dito na véspera que não fora convidado para as cerimônias.
E quanto às críticas de Lerner à sua administração, o prefeito de Apucarana retrucou no mesmo tom, dizendo que a manipulação que Lerner faz através da mídia, propagandeando seu programa de industrialização, aumentou o desemprego, gerando falsas expectativas e ‘‘uma nova baixada fluminense em Curitiba’’.
Para Scarpelini, administração desastrosa é a de Lerner, ‘‘que já vendeu parte da Copel, endividou e agora quer privatizar o Banestado, e prepara-se também para negociar a Sanepar’’. O prefeito reiterou que Apucarana está sendo discriminada pelo Estado. ‘‘Temos mais de 50 projetos parados nas secretarias, e até verbas aprovadas em orçamento são retidas por motivos políticos’’.

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