Lerner e Requião começam a transição
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segunda-feira, 28 de outubro de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governador Jaime Lerner (PFL) e o governador eleito Roberto Requião (PMDB) deram o primeiro passo do processo de transição. Os dois inimigos políticos sentaram cara a cara, no gabinete de Lerner, para discutir como será feita a troca de uma administração para outra. Pelo menos para o público, ambos exibiram sorrisos ao se cumprimentarem. O trabalho das duas equipes técnicas uma montada por Lerner e outra por Requião começa amanhã. A primeira reunião será na Secretaria da Fazenda, às 9 horas.
Lerner classificou o encontro, que durou cerca de uma hora e meia, de ``cordial e respeitoso``. O senador Requião deixou o Palácio Iguaçu sem dar entrevistas. Lerner não apresentou um balanço fechado do governo, disse que foi apenas uma reunião inicial. Um dos pontos mais delicados na mesa de discussões foi o concurso para professores, marcado para domingo. Requião defende mudanças nos moldes do concurso, que por isso pode acabar transferido, como foi sinalizado durante a reunião. A decisão final deve sair hoje, depois de uma reunião entre Maurício Requião, irmão do senador e futuro secretário da Educação, representantes do Sindicato dos Professores e o atual secretário da Administração, Ricardo Smijtink.
As principais preocupações dos peemedebistas são a área financeira e o pessoal. A dívida do Estado, segundo dados da Fazenda, é de R$ 9,8 bilhões. A oposição diz que o débito é bem maior. Requião deve também reduzir o número de secretarias, fixado em 17 pastas depois da reforma de dezembro passado, quando existiam 25.
O coordenador da equipe de transição do PMDB, o vice-governador eleito e deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB), disse que o futuro governo pode criar uma secretaria especial para os problemas sociais, a exemplo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidiu montar uma Secretaria de Emergência Social.
Além de Pessuti, farão parte da equipe Heron Arzua (ex-secretário da Fazenda de Requião, de 1991 a 1994), o ex-deputado Renato Adur e Maurício Requião. O PPS indicou o secretário-geral do partido, Rubico Camargo, para compor o grupo. O PT deve indicar também representante. Segundo o candidato derrotado ao governo pelo PT, Padre Roque Zimmermann, mais de um petista pode ser indicado. Ontem, ele preferiu não revelar os nomes. O PL também teria direito a um representante.
Lerner escolheu quatro entre seus principais secretários para trabalharem na transição: José Cid Campêlo Filho (Governo), Ingo Hubert (Fazenda), Ricardo Smijtink (Administração e Previdência) e Guaraci Andrade (Casa Civil). ``Eles farão a triagem``, explicou Lerner. O secretariado informou que todos os dados solicitados pelo PMDB serão fornecidos. O secretário de Comunicação, Deonilson Roldo, disse que não haverá informação confidencial.
Lerner colocou ainda à disposição das equipes qualquer espaço que eles necessitem para trabalhar, nos prédios públicos. ``Sempre fomos adversários, mas o nível desta transição me deixa muito satisfeito``, declarou a jornalistas. Depois da conversa sobre a transição, Lerner e Requião tiveram uma conversa reservada.
O governador foi cauteloso ao abordar outra atitude sua, bastante criticada por Requião: os contratos com as montadoras de automóveis que se instalaram no Paraná. Requião quer abrir os contratos. ``O Estado ganhou com a geração de empregos. Todas as medidas que tomei foram benéficas ao Estado``, disse o pefelista.


